Nova rodada de negociações ocorre após pressão dos trabalhadores e entidades sindicais; categoria reivindica mudanças no Saúde Caixa, reajuste salarial, novas contratações e melhores condições de trabalho
A Caixa Econômica Federal retoma nesta quarta-feira (16) as negociações com seus empregados para discutir a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). A nova rodada ocorre em meio à greve dos trabalhadores, iniciada na última quinta-feira (10), que continua nesta quarta.
A reunião foi marcada após cobrança da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) ao banco. De acordo com a entidade, mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta apresentada anteriormente pela Caixa.
A paralisação segue enquanto não houver um acordo que atenda às reivindicações da categoria.
Saúde Caixa é principal ponto de divergência
Entre os principais pontos de impasse está o Saúde Caixa, plano de assistência médica dos empregados, aposentados e dependentes.
Os trabalhadores contestam mudanças propostas pela direção do banco no modelo de custeio, que, segundo as entidades sindicais, podem elevar os gastos dos beneficiários. A categoria reivindica maior participação da Caixa no financiamento do plano e a manutenção de direitos já conquistados.
A proposta apresentada pelo banco prevê o aumento da participação da Caixa no custeio do Saúde Caixa, de 6,5% para 8%. Também estão previstas mudanças na coparticipação e nas regras de adesão ao plano.
Entre os pontos apresentados pela Caixa estão:
- aumento da cobrança por consultas em pronto-socorro, fora do teto, de R$ 75 para R$ 150;
- isenção de coparticipação em atendimentos de telemedicina;
- prazo de 90 dias para que titulares que estão fora do plano possam aderir;
- impedimento de nova adesão para quem cancelar o plano;
- aumento do teto anual de coparticipação por grupo familiar, de R$ 3.600 para R$ 4.800;
- recadastramento anual obrigatório;
- teto de 9% por grupo familiar;
- exclusão dos dependentes indiretos do teto;
- piso de R$ 50 por beneficiário;
- previsão de 13 mensalidades.
A proposta também inclui a antecipação da parcela de responsabilidade da Caixa referente às 13ª mensalidades de 2028, 2029 e 2030, com o objetivo de contribuir para a cobertura do déficit do plano.
Trabalhadores também reivindicam reajuste e novas contratações
Além das questões relacionadas ao Saúde Caixa, os empregados reivindicam reajuste salarial acima da inflação, novas contratações, melhores condições de trabalho e valorização da carreira.
Entre as medidas apresentadas pela Caixa estão um prêmio de R$ 3 mil por empregado e o pagamento, em 18 de setembro, do salário reajustado, da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), do Super Caixa e do prêmio.
O banco também propôs R$ 236 milhões para ações de prevenção à saúde a partir de janeiro de 2027 e a criação de grupos de trabalho para discutir melhorias no Saúde Caixa, as chamadas três fontes de renda e a possibilidade de destinar ao plano parte do lucro relacionado à produtividade.
Greve continua durante negociação
A retomada das negociações não encerra a paralisação. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, a greve continua nesta quarta-feira (16).
As regionais do sindicato estão abertas desde as 7h para receber trabalhadores, esclarecer dúvidas, disponibilizar materiais e oferecer apoio jurídico.
A presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro, destacou que a reabertura da mesa ocorreu após a mobilização da categoria e das entidades sindicais.
“O que vai resolver a campanha é o diálogo. A Caixa precisa ouvir os trabalhadores e apresentar uma saída negociada para o impasse.”
O Comando Nacional dos Bancários e o Comando de Greve também se reuniram na terça-feira (15) para avaliar o andamento da paralisação. Após as reuniões, as entidades devem divulgar um balanço da mobilização.
A Contraf-CUT e os sindicatos afirmam que a greve continuará enquanto não houver um acordo considerado satisfatório para os trabalhadores.
Caixa diz que busca acordo
Em nota, a Caixa afirmou que decidiu reabrir a mesa de negociação por considerar o diálogo o melhor caminho para a construção de um acordo.
O banco informou que foram realizadas 54 reuniões de negociação coletiva durante a campanha e que apresentou quatro propostas, incorporando mudanças e demandas apresentadas pelos representantes dos empregados.
A instituição afirmou ainda que busca uma solução que preserve os interesses dos empregados, da Caixa, dos clientes e da sociedade.
Canais digitais seguem disponíveis
Durante a greve, a Caixa informa que os clientes continuam podendo utilizar os canais digitais e outras formas de atendimento.
Entre as opções estão o aplicativo Caixa, Internet Banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, DPVAT e FGTS.
O atendimento telefônico também permanece disponível pelo Alô Caixa, no número 4004-0104 para capitais e regiões metropolitanas.
A greve dos empregados da Caixa continua nesta quarta-feira (16), enquanto representantes dos trabalhadores e da direção do banco retomam as negociações sobre a renovação do Acordo Coletivo de Trabalho.