
O presidente Lula defendeu uma investigação sem distinção sobre todos os envolvidos no caso Banco Master e na crise que atingiu o Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista aos jornalistas Eduardo Ribeiro e Mariana Godoy, do “Jornal da Record” nesta terça-feira (15), o candidato à reeleição elevou o tom ao cobrar responsabilização: “Não tem trégua! É preciso investigar todos, todos, sem distinção!”.
Lula afirmou que nenhuma autoridade pode escapar de uma apuração quando estiver sob suspeita ou acusação. Segundo ele, o presidente do STF, Edson Fachin, dispõe agora das informações necessárias para esclarecer o caso. “Quem fez o que tem que ser punido, tem que ser julgado”, disse. O petista já havia cobrado punição para qualquer ministro considerado culpado após investigação.
O presidente também defendeu a abertura ampla dos sigilos relacionados à investigação e fez uma crítica direta a André Mendonça. “Abra-se o sigilo de telefone de todo mundo”, afirmou. Lula acusou o ministro de ter mantido informações “como segredo de Estado” e de divulgar apenas o que, em sua avaliação, lhe interessava. Mendonça vinha mantendo sob sigilo dados bancários e fiscais de mais de 30 investigados no caso Master.
O presidente Lula fala que “É preciso investigar todos, todos, sem distinção!” após bate-boca e aprofundamento da crise no STF hoje.
O candidato a reeleição defendeu uma reforma no judiciário. pic.twitter.com/30s0boya3n
— deok (@lauricadeok) September 15, 2026
Ao falar de Daniel Vorcaro, Lula usou a expressão “uma quadrilha que envolveu muita gente de várias instâncias do Poder Judiciário, da classe política” e defendeu que as conexões do caso sejam expostas. “Vamos colocar o Brasil a nu e investigar para ver se a gente consegue fazer o Brasil ser melhor para o povo brasileiro”, afirmou.
Lula também defendeu uma “reforma profunda” no Poder Judiciário, com discussão sobre duração de mandatos e critérios para a escolha de ministros. Para ele, a crise torna necessário rever mecanismos capazes de preservar a credibilidade das instituições responsáveis por julgar autoridades e cidadãos.
O presidente foi ainda mais enfático ao abordar patrimônio e relações familiares no Judiciário. “Quem for ministro ou quem estiver no Poder Judiciário não pode querer ficar rico. Não pode querer ficar rico!”, declarou. Lula citou situações em que filhos, mulheres ou pais de magistrados atuam como advogados e disse ser necessário criar “critério de moralização do Poder Judiciário brasileiro”. “Na Suprema Corte, ninguém pode ficar sob suspeita. É importante apurar, e quem tiver cometido erro que pague o preço que o povo brasileiro exige”, concluiu.