
O ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), bloqueou o decano Gilmar Mendes no WhatsApp após uma troca de mensagens em que foi cobrado pela atuação em julgamentos relacionados ao caso Master. Segundo a CNN Brasil, o bloqueio ocorreu na terça-feira (8), depois de um desentendimento que começou com a formação de maioria na Segunda Turma pelo afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Na sessão virtual, Nunes Marques acompanhou André Mendonça e Luiz Fux na manutenção do afastamento. O voto de Fux entrou poucos minutos depois de Gilmar pedir vista, e o de Nunes Marques foi registrado na sequência, formando maioria. Gilmar interpretou a movimentação como uma articulação entre os colegas e procurou Nunes Marques pelo aplicativo.
Na troca de mensagens, Gilmar subiu o tom e escreveu: “Assumam q estao (sic) ferrados e saiam dos processos. Abram as contas”. O decano também defendeu que Nunes Marques e Fux não participassem de julgamentos ligados ao Master e cobrou que o colega deixasse o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), do qual é presidente.

Nunes Marques respondeu que Gilmar deveria respeitá-lo e afirmou que aquela não era uma postura adequada. Em outro momento da conversa, escreveu: “Então não me tecle pois não falo com quem não me respeita”. Gilmar insistiu na cobrança pela abertura das contas antes da participação do ministro em processos do Master. Depois do desentendimento, Nunes Marques bloqueou o colega no WhatsApp.
As cobranças também passaram por mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Um diálogo entre Vorcaro e Luiz Rennó, então diretor jurídico do Banco Master, menciona pagamentos mensais de R$ 500 mil a Kevin Nunes Marques, filho do ministro. Nunes Marques negou em sessão no STF que o filho tenha prestado serviços ao banco e afirmou que nunca trocou mensagens com Vorcaro. A CNN informou que procurou a assessoria de Kevin e aguardava resposta.
A relação entre os ministros voltou ao centro das atenções nesta terça-feira (15), durante o julgamento sobre uma eventual investigação de Alexandre de Moraes. Nunes Marques se declarou impedido de participar da análise e afirmou que, como presidente do TSE, queria evitar que o episódio contaminasse politicamente a Justiça Eleitoral.