Moraes chama relatório da PF de “nulo e imprestável” e cita possível auxílio estrangeiro

Alexandre de Moraes sentado em cadeira de couro, de terno preto e gravata rosa
Alexandre de Moraes. Foto: Reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), classificou como “nulo e imprestável” o relatório da Polícia Federal sobre supostas mensagens trocadas por ele com o banqueiro Daniel Vorcaro. Em ofício enviado ao presidente da Corte, Edson Fachin, Moraes afirmou que o documento pode ter recebido auxílio de um órgão estrangeiro. Com informações do Metrópoles.

Na manifestação de 44 páginas apresentada na segunda-feira (14), o ministro disse que a origem do relatório indicaria uma “clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026”. Ele também associou a apuração a uma tentativa de incriminá-lo por sua atuação como relator dos processos sobre a organização criminosa que tentou um golpe de Estado no país.

“É imprestável porque houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro”, escreveu Moraes. A cadeia de custódia registra o percurso de evidências, da coleta à análise, para evitar alterações e contaminação do material.

Moraes citou metadados que, em sua avaliação, apontam que a abertura e a finalização do arquivo ocorreram no mesmo dia em computadores da PF. Para o ministro, esse dado sugere que alguém produziu o relatório fora da corporação e depois o inseriu no sistema policial.

Moraes aponta metadados e questiona investigação

“Os metadados do relatório demonstram que a abertura e finalização do relatório foi feita no mesmo dia, ou seja, foi ‘plantado’ nos computadores da PF e não inteiramente produzido por eles”, afirmou. Ele alegou que não seria possível elaborar integralmente o documento em um único dia e apontou “direcionamento ilícito” nas investigações.

O ministro também levantou suspeita de que o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, determinado pelo ministro André Mendonça, buscou impedir uma investigação sobre a possível origem externa do relatório. Moraes atribuiu a Mendonça irregularidades na condução do caso.

André Mendonça durante sessão no STF. Foto: Luiz Silveira/STF

Na petição, Moraes sustentou que o relatório reúne “inúmeras ilações, mentiras, dados falsos e conclusões absurdas”, a partir de trechos de mensagens escolhidos de forma subjetiva. Ele afirmou que o material não identificou indícios de infração penal atribuível a ele.

Fachin abriu em 3 de setembro prazo de cinco dias para que Moraes, Mendonça, Andrei Rodrigues e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestassem. O despacho antecedeu a sessão plenária extraordinária desta terça-feira (15), convocada para analisar o caso das mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Moraes ainda afirmou que a atuação de Mendonça teve motivação político-eleitoral e buscou atingir também o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Segundo ele, o vazamento do chamado “dossiê” na semana anterior aos atos de 7 de Setembro tentaria impulsionar comícios de um grupo político antes das eleições de outubro de 2026.

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