Produtora de “Dark Horse” teve 6 reuniões em 1 ano com governo Bolsonaro

Karina Ferreira da Gama ao lado do deputado federal Mário Frias. Foto: Divulgação

A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pela Go Up Entertainment, produtora da cinebiografia “Dark Horse”, participou de seis agendas com integrantes do governo de Jair Bolsonaro em 2022. Os encontros ocorreram no ano em que ela ampliou sua aproximação com o bolsonarismo e sua empresa prestou serviços à campanha do deputado federal Mário Frias (PL-SP). Com informações do UOL.

Karina e Frias passaram a ser investigados pela Polícia Federal sob suspeita de desvio de recursos públicos por meio de entidades presididas pela empresária. Os dois negam irregularidades, enquanto os responsáveis por “Dark Horse” afirmam que o filme recebeu financiamento exclusivamente privado.

O levantamento das agendas oficiais identificou sete registros referentes a seis encontros entre 21 de fevereiro e 22 de novembro de 2022. Karina apareceu como representante do Instituto Conhecer Brasil e da Academia Nacional de Cultura, organizações que preside.

As reuniões discutiram direitos autorais, a abertura de uma associação, projetos para a “Marcha para Jesus”, as comemorações do Bicentenário da Independência e outras iniciativas culturais. Em 21 de fevereiro, ela se reuniu com Felipe Carmona Cantera, então secretário nacional de Direitos Autorais e Propriedade Intelectual.

Felipe Carmona Cantera e Mário Frias Foto: Reprodução

Em 21 de março daquele ano, Karina foi recebida por Lucas Jordão Cunha, então chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura. A agenda também listava uma pessoa identificada parcialmente como “Sr. Charlston” e registrou como tema “Projetos Marcha para Jesus”.

Lucas assumiu a Secretaria Nacional de Fomento e Incentivo à Cultura em 31 de março e voltou a se encontrar com Karina no último compromisso do ano, dedicado a projetos culturais. Na função, ele respondia pela área ligada à Lei Rouanet no governo Bolsonaro.

Frias comandou a Secretaria Especial da Cultura de junho de 2020 a março de 2022 e conheceu Karina após assumir o cargo. A GO7, empresa dela, recebeu R$ 54 mil para prestar serviços à campanha do ex-secretário à Câmara dos Deputados em 2022.

Nos anos seguintes, o Instituto Conhecer Brasil firmou um termo de colaboração superior a R$ 100 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar e manter pontos gratuitos de internet em comunidades. A Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo investigam a contratação e a execução do programa; a prefeitura sustenta que o acordo foi regular, que os serviços foram prestados e que colabora com as autoridades.

Em paralelo, a Polícia Federal apura emendas parlamentares de R$ 2 milhões destinadas ao Instituto Conhecer Brasil e à Academia Nacional de Cultura, parte delas indicada por Frias e outros deputados do PL. A suspeita é que recursos públicos tenham circulado por empresas e entidades ligadas a Karina e alcançado a estrutura de “Dark Horse”, mas os repasses entre as organizações não comprovam, por si, que o dinheiro tenha financiado o longa.

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