TH Joias armazenou 200 quilos de maconha após posse na Alerj, diz MPF

TH Joias e Cláudio Castro. Foto: reprodução

O Ministério Público Federal acusou o ex-deputado estadual Thiego de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, de armazenar 200 quilos de maconha e de tentar intermediar uma venda de drogas 15 dias após tomar posse na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) recebeu a denúncia na sexta-feira (11) e retirou o sigilo do processo.

A acusação integra a Operação Zargun e também atribui a TH Joias os crimes de tráfico de drogas, contrabando, corrupção ativa e organização criminosa. O advogado Rafael Faria afirmou que não comentaria as acusações; durante a investigação, a defesa negou envolvimento do então deputado em vazamentos ou no repasse de informações a organizações criminosas.

O MPF baseou parte da denúncia em mensagens trocadas por TH Joias com Gabriel Dias de Oliveira, chamado de Índio do Lixão. Em 27 de junho de 2024, o ex-deputado teria buscado intermediar a venda de drogas de uma pessoa não identificada para o traficante.

Para o Ministério Público, a eventual ausência de entrega não impede a configuração do crime. “Muito embora não se possa afirmar que a transação tenha se concretizado, ainda assim o delito de tráfico restou configurado na modalidade oferecer, cuja consumação independe da efetiva entrega das drogas”, escreveu o órgão.

Mensagens citadas pelo Ministério Público incluem 200 quilos de maconha

Sacos com maconha em uma sala
Sacos distribuídos pelo chão de uma sala. Foto: Reprodução

A denúncia relata que, em fevereiro de 2024, TH Joias enviou a Índio do Lixão um vídeo de uma sala com sacos de maconha e, em seguida, escreveu: “Tem 200 kg”. O interlocutor respondeu: “Isso não é bom de vender não”.

Em novembro de 2023, os dois também discutiram uma planilha de pagamentos intitulada “Pó amigo do TH”. O documento listava valores a descontar de uma aparente dívida e indicava saldo devedor de R$ 96.190 naquela data.

O MPF afirmou que a tabela sustenta a suspeita de venda de entorpecentes e aponta uma função de intermediação, controle e recebimento de pagamentos. As conversas mencionadas na denúncia ocorreram quando TH Joias ainda era suplente de deputado estadual.

TH Joias assumiu o mandato em 12 de junho de 2024, após a morte de Otoni de Paula Pai. Ele era o segundo suplente do MDB; Rafael Picciani, primeiro da fila, havia assumido uma secretaria no governo de Cláudio Castro (PL). Depois de sua prisão, em setembro de 2025, o MDB expulsou o ex-deputado do partido.

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