
A Polícia Federal encontrou na churrasqueira da casa do senador Ciro Nogueira (PP-PI), em Brasília, uma lista intitulada “Câmara” com primeiros nomes que os investigadores consideram possivelmente ligados a deputados e números que seriam, “provavelmente”, valores. Os papéis foram apreendidos em maio, durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga o caso Banco Master. Com informações do g1.
A anotação trazia “Arthur, 40”, “Hugo, 10”, “Elmar, 10”, “Luizinho, 10”, “Adolfo, 10”, “Isnaldo, 10”, “Diego, 5”, “Altineu, 5” e “Netinho, 5”. A PF escreveu que os primeiros nomes poderiam corresponder, entre outros, a Arthur Lira (PP-AL), Hugo Motta (Republicanos-PB), Elmar Nascimento (União Brasil-BA), Doutor Luizinho (PP-RJ), Adolfo Viana (PSDB-BA) e Isnaldo Bulhões (MDB-AL). A corporação ressalvou que os números ao lado dos nomes “carecem de esclarecimento” e não definiu sua natureza ou unidade.
Os documentos estavam entre papéis que, segundo uma funcionária da residência, Ciro havia entregue para serem queimados sob a justificativa de que eram antigos ou não tinham serventia. A incineração não ocorreu porque, de acordo com o relato registrado pela PF, a funcionária não teve tempo. O documento policial não informa quando o senador teria dado essa orientação.

A apreensão ocorreu durante a mesma fase da Compliance Zero que colocou Ciro Nogueira sob investigação por suspeitas envolvendo o Banco Master. A PF apura se o senador recebeu vantagens de Daniel Vorcaro e pessoas ligadas ao banco em troca de atuação política. Entre os elementos investigados estão pagamentos mensais, viagens e a chamada “Emenda Master”, que buscava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito.
O relatório da diligência também registrou vinhos e uísques de alto valor, bolsas de grife e malas vazias com etiquetas em nomes de terceiros na residência. Os policiais afirmaram que essas circunstâncias chamaram atenção para o “elevado padrão econômico” do imóvel, mas o registro, por si só, não atribui origem ilícita aos bens. A investigação sobre Ciro também alcança negócios imobiliários realizados no período de sua aproximação com Vorcaro.
Arthur Lira afirmou por meio de sua assessoria que desconhece as anotações e não pode responder pelo registro. Hugo Motta informou que não se manifestaria. Elmar Nascimento repudiou a menção a seu nome, classificou a anotação como “apócrifa” e disse nunca ter mantido relação que justificasse sua presença em um documento desse tipo. O g1 também procurou Ciro Nogueira, Doutor Luizinho e Isnaldo Bulhões.
Até a publicação da reportagem, não havia nos autos tornados públicos avanço da PF capaz de esclarecer o significado da lista ou dos números. O material foi recolhido para “análise contextualizada” pelos investigadores, de modo que a existência das anotações não permite concluir, por si só, que os nomes correspondam aos parlamentares indicados nem que os números representem pagamentos.