Ex-marqueteiro que repassou R$ 1 milhão a “Dark Horse” segue como conselheiro de Flávio

Flávio Bolsonaro ao lado de Marcello Lopes, conhecido como Marcellão
Flávio Bolsonaro e o publicitário Marcello Lopes, conhecido como Marcellão. Foto: Reprodução

O publicitário Marcello Lopes, conhecido como Marcellão, continua no círculo de conselheiros de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato do partido à Presidência, após a Polícia Federal identificar um repasse de R$ 1 milhão dele à produtora do filme “Dark Horse”. Embora tenha deixado formalmente o comando do marketing da campanha em maio, ele mantém contato diário com o senador, segundo o jornal O Globo.

Nos Estados Unidos, o ex-marqueteiro afirmou que ainda não havia falado por telefone com Flávio sobre a operação da PF. O senador cumpria agendas no Norte do país, após passar por Roraima e seguir para o Amazonas, mas, segundo Lopes, os dois continuam se falando normalmente.

Lopes disse que não precisa prestar explicações ao candidato sobre a transferência e alegou que usou dinheiro próprio. “É um assunto sem pé nem cabeça. Minha participação foi exclusivamente como investidor privado, com recursos próprios e de forma regular”, afirmou.

O publicitário declarou que o deputado federal Mario Frias (PL-SP), um dos responsáveis pelo projeto, apresentou a oportunidade de investimento. “O Frias me propôs o investimento”, disse Lopes, que classificou o aporte como um negócio favorável.

Jim Caviezel interpreta Jair Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: Reprodução

PF identificou transferências à produtora durante as filmagens

Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras usado pela PF indica que Lopes transferiu R$ 1 milhão para a Go Up entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025, fase em que ocorriam as filmagens de “Dark Horse”. A investigação apura suspeitas de desvios relacionados à produção.

No período analisado, a Go Up movimentou R$ 19 milhões, com R$ 8,9 milhões em créditos e R$ 10 milhões em débitos. Além do valor atribuído a Lopes, a empresa recebeu R$ 645 mil de Mario Frias e R$ 750 mil da NTT Brasil.

Marcellão nega que sua participação no filme tenha ligação com a campanha de Flávio Bolsonaro ou com o banqueiro Daniel Vorcaro. Ele afirma que formalizou a operação como investimento empresarial depois da proposta feita por Frias.

O nome do publicitário também surgiu no chamado “Projeto DV”, plano de comunicação nas redes sociais em defesa do Banco Master e de Vorcaro. Integrantes da campanha apontaram esse episódio como um dos fatores para sua saída do marketing, enquanto Lopes atribui o desligamento a uma disputa com Rodrigo Saccone, então coordenador de imprensa; Saccone depois passou a atuar apenas para o senador Rogério Marinho.

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