Os ministros das Finanças e os presidentes dos bancos centrais dos países do Brics publicaram uma declaração conjunta, na quinta-feira (10), em que defendem a reforma do sistema financeiro global, incluindo o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, para ampliar a diversidade regional e a representação dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento.
No documento, as autoridades indicam que ampliar a representação visa tornar as instituições mais ágeis e confiáveis, além de refletir melhor a posição dessas economias emergentes no cenário mundial.
“Com a crescente participação dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento na produção e no crescimento globais, a reforma da governança econômica mundial continua sendo uma prioridade constante do Brics […] Reiteramos a necessidade urgente de reformar as Instituições de Bretton Woods (BWI, em inglês), tornando-as mais ágeis, eficazes, confiáveis, inclusivas, adequadas às suas finalidades, imparciais, responsáveis e representativas, a fim de ampliar sua legitimidade”, traz a declaração.
Também é tratada a preocupação com a fragmentação comercial e o protecionismo mundial. Sem citar os Estados Unidos, que implementaram um tarifaço contra produtos de outros países, os ministros reforçam que muitas medidas vão contra as regras da OMC (Organização Mundial do Comércio) e afetam principalmente as economias em desenvolvimento.
“Continuamos seriamente preocupados com a imposição unilateral de medidas relacionadas ao comércio e às finanças, incluindo o aumento de tarifas e de medidas não tarifárias, que distorcem o comércio e são incompatíveis com as regras da OMC […] Reiteramos nosso apoio a um sistema comercial multilateral aberto, transparente, inclusivo, não discriminatório e baseado em regras, tendo a Organização Mundial do Comércio como seu núcleo”, afirmam os ministros.
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O documento inteiro tem 31 pontos e ainda destaca as iniciativas do Brics para ampliar a cooperação econômica e financeira, com foco em financiamento ao desenvolvimento, infraestrutura, investimentos, comércio, sustentabilidade, tributação, pagamentos transfronteiriços e cibersegurança. O bloco também aponta a importância da inteligência artificial e de tecnologias emergentes para o crescimento e defende o fortalecimento do Novo Banco de Desenvolvimento (o banco do Brics, presidido por Dilma Rousseff) e de mecanismos de financiamento entre os países-membros.
O Brics reúne atualmente 11 países-membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul (estes cinco primeiros como fundadores), Egito, Etiópia, Irã, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Indonésia. Além dos 11 membros plenos, o Brics possui 10 países parceiros: Belarus, Bolívia, Cuba, Cazaquistão, Malásia, Nigéria, Tailândia, Uganda, Uzbequistão e Vietnã. Eles participam da cooperação do bloco, mas não têm o mesmo status dos demais.
Cúpula do Brics
A 18ª Cúpula de Líderes do Brics acontece neste final de semana, nos dias 12 e 13 de setembro, em Nova Delhi, na Índia. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, representará o presidente Lula, que não viaja por conta da campanha eleitoral.
Além do anfitrião, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, os presidentes da China e da Rússia, Xi Jinping e Vladimir Putin, estarão presentes. Também participará presencialmente o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. O país persa é membro do Brics desde 2024 e é atacado pelos Estados Unidos e por Israel, em uma guerra espúria, desde fevereiro deste ano.
De acordo com a Reuters, Modi pretende, com a Cúpula, acelerar avanços para a integração das moedas digitais dos países do bloco, uma alternativa para contornar a hegemonia do dólar e impulsionar o comércio.
Adicionalmente, os ministros das Finanças querem que a comunicação dos sistemas de pagamentos dos países-membros também avance.