Caso Master: PF expõe elo de Vorcaro com cúpula do BC de Bolsonaro

Documentos do Caso Banco Master tornados públicos nesta sexta-feira (11) revelam como Daniel Vorcaro construiu relações próximas com integrantes da estrutura de fiscalização do Banco Central durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado para comandar a instituição por Jair Bolsonaro. Relatórios da Polícia Federal (PF) apontam pagamentos, viagens internacionais, vantagens financeiras e uma atuação informal de servidores do BC em assuntos de interesse direto do Master.

O material amplia o alcance político do escândalo ao mostrar que a rede de influência de Vorcaro chegou ao interior do órgão responsável justamente por fiscalizar bancos e instituições financeiras. Os documentos também voltam a colocar o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) entre os personagens alcançados pelas investigações.

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A abertura dos autos ocorreu depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo da petição principal e de outros 14 procedimentos relacionados ao caso, atendendo a pedido do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. A decisão foi tomada em meio à crise institucional aberta no Supremo em torno das investigações do Master e do afastamento, posteriormente revertido, do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

O plenário do STF tem sessão extraordinária marcada para terça-feira (15).

Relação dentro da fiscalização do BC

Entre os nomes citados pela PF estão Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do Banco Central, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária.

Paulo Sérgio chegou à diretoria do BC durante o governo Bolsonaro e integrou a estrutura comandada por Campos Neto. Belline ocupava um dos postos centrais da supervisão bancária.

Segundo os relatórios policiais, os dois mantiveram uma relação de proximidade com Vorcaro e atuaram como uma espécie de “assessores informais” do banqueiro. A PF identificou troca de mensagens, revisão de documentos, orientações sobre questões regulatórias e conversas relacionadas a assuntos de interesse do Master.

Em outubro de 2025, Belline chegou a criar um grupo de mensagens com Vorcaro e Paulo Sérgio para organizar a interlocução entre eles.

Pagamentos e viagens

Os documentos apontam que Belline teria recebido pagamentos mensais de R$ 100 mil, além de parcelas semestrais de R$ 500 mil vinculadas a um suposto projeto de inserção de jovens no mercado financeiro. A investigação suspeita que o projeto tenha servido como fachada para os repasses.

Belline também teve despesas de uma viagem a Paris, acompanhado da esposa, custeadas por Vorcaro. Paulo Sérgio, por sua vez, teve uma viagem aos Estados Unidos com a família beneficiada por um serviço de concierge de US$ 38 mil, cerca de R$ 196 mil, segundo depoimento de um prestador ouvido pela PF. A viagem incluiu parques da Disney e da Universal.

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Questionado sobre o episódio, Vorcaro afirmou à PF: “Obviamente, ali foi um agrado.”

Os investigadores também analisam uma negociação de R$ 4,8 milhões envolvendo um imóvel de Paulo Sérgio e de seu irmão, com participação de Vorcaro. As defesas contestam irregularidades e os fatos ainda estão sob investigação, sem decisão judicial definitiva sobre responsabilidade dos envolvidos.

Outro elemento revelado pelas investigações é a existência de uma estrutura chamada pela PF de “A Turma”, ligada a Vorcaro e usada, segundo os investigadores, para levantar informações sigilosas, produzir dossiês e atuar contra desafetos.

Entre os nomes vinculados ao grupo aparece Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que também surge em registros ao lado de Flávio Bolsonaro e morreu supostamente por suicídio.

Escândalo avança sobre a herança de Bolsonaro

Parte das investigações permanece sob sigilo, inclusive trechos relacionados ao financiamento de “Dark Horse”. Mesmo assim, o material já divulgado reforça uma dimensão central do Caso Master onde Vorcaro não se limitava a manter relações com empresários e políticos. Segundo a PF, sua rede alcançava também integrantes da estrutura estatal encarregada de fiscalizar suas atividades.

A revelação dos vínculos com nomes que ocuparam postos estratégicos do Banco Central durante a gestão Bolsonaro-Campos Neto amplia a pressão por respostas sobre como o Master conseguiu operar durante anos sob sucessivos alertas de irregularidades.

Ao mesmo tempo, a presença de Flávio Bolsonaro nos novos documentos aproxima ainda mais o escândalo da disputa presidencial e transforma o Caso Master em um problema político direto para o bolsonarismo.

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com informações de agências

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