
O projeto Lutando Pela Vida, que oferece aulas de jiu-jítsu a crianças em Pirassununga, no interior de São Paulo, declarou gasto de R$ 457,8 mil na compra de uniformes, embora imagens das atividades mostrem alunos treinando sem kimono. Pais de participantes também afirmaram que nem todas as crianças têm acesso à roupa usada na prática da modalidade, segundo a coluna de Ramiro Brites no Metrópoles.
A iniciativa recebeu R$ 1 milhão do orçamento do Ministério do Esporte. O dinheiro teve origem em uma emenda parlamentar do deputado federal Mário Frias (PL-SP), destinada ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), dirigido por Karina Ferreira da Gama, produtora do filme “Dark Horse”, roteirizado por Frias sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O ICB remanejou os recursos para o Lutando Pela Vida por meio de um termo de fomento. Nas imagens das aulas, a maioria dos alunos aparece sem kimono, apesar da despesa declarada para a aquisição dos uniformes.
A Controladoria-Geral da União identificou que o projeto emitiu notas de pagamento ao ICB antes da formalização do contrato entre as duas partes. O órgão analisou a execução da verba pública destinada à iniciativa esportiva.

PF investigou responsáveis pelo projeto e pelo Instituto Conhecer Brasil
Rudyge Boldrini, responsável pelo Lutando Pela Vida e instrutor de jiu-jítsu, recebeu R$ 13,7 mil com recursos públicos. Ele abriu uma microempresa individual poucos dias antes da contratação pelo projeto.
Boldrini, Frias e Karina estão entre os 49 alvos da operação deflagrada pela Polícia Federal em 9 de setembro. Em decisão, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, apontou que os demais contratados pelo projeto, entre instrutores e profissionais ligados a uma academia de jiu-jítsu de Pirassununga, “possuem objeto incompatível com os serviços faturados”.
Em 2022, a campanha de Frias contratou Boldrini por R$ 7 mil. Depois, o instrutor doou R$ 4 mil ao então candidato, em duas parcelas.
Uma denúncia apresentada ao STF pelo deputado Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ) e pela vereadora de Pirassununga Mirelle Buêno (PDT) relaciona o Festival Terra Viva, uma rave realizada na cidade, ao “ecossistema econômico” em torno de Frias. Boldrini aparece ao lado de uma DJ ligada ao festival; os produtores da festa negam vínculo e dizem que o evento recebe recursos privados.