
O presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, desistiu de apresentar uma nova petição ao Supremo Tribunal Federal (STF) para retirar o pedido de afastamento do procurador-geral da República, Paulo Gonet, do caso que envolve mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A tentativa de recuo provocou divisão entre os presidentes das seccionais estaduais da entidade, segundo a coluna de Bela Megale no jornal O Globo.
A crise começou depois de a OAB pedir ao STF que Gonet não atuasse no caso. Na quinta (10), Simonetti enviou uma mensagem ao grupo de WhatsApp dos dirigentes estaduais e escreveu: “Pessoal, acho que usamos dois pesos e duas medidas”.
Na conversa, o presidente da OAB afirmou que Gonet “é inocente” e defendeu o respeito à “ampla defesa e contraditório”. Simonetti também disse ter um “sentimento de injustiça” e classificou o procurador-geral como “um homem de bem”.
Presidentes estaduais sustentaram que a citação de Gonet no relatório policial impedia sua continuidade na apuração do caso Master. Eles ressaltaram, porém, que o afastamento solicitado não representava uma atribuição de culpa ao procurador-geral.

Pedido de recuo encontrou resistência entre seccionais
Simonetti anunciou que apresentaria ao STF uma petição para que o tribunal desconsiderasse o trecho referente ao afastamento de Gonet. “Não estamos sendo justos. Acreditem em mim. Uma lacração não pode ter como base uma injustiça. E me responsabilizo sozinho, vocês podem me responsabilizar”, escreveu.
Parte dos dirigentes pediu que o presidente nacional não levasse adiante a iniciativa. O grupo argumentou que a decisão original resultou de quatro horas de discussão em uma reunião em Brasília com a participação dos presidentes de todas as seccionais.
Ao defender a nova petição, Simonetti afirmou que os efeitos da decisão recaíam sobre ele e sobre a própria OAB. “A consequência efetiva não recai sobre nenhum de vocês, mas sobre mim pessoalmente e sobre a OAB, e já estamos sofrendo. Posso fazê-lo sem anunciar”, disse, antes de acrescentar: “É melhor para todos nós. Acreditem”.
Uma parcela das seccionais aceitou o pedido para suspender a apreciação do afastamento de Gonet, enquanto outra cobrou explicações que Simonetti não apresentou. Depois, ele abandonou a nova petição e manifestou apoio pessoal ao procurador-geral em entrevista ao site “Jurinews”: “Afirmo em público minha confiança na honra e na integridade de Paulo Gonet. Tenho profundo respeito por sua trajetória e pela seriedade com que ele exerce suas responsabilidades”. A fala reabriu a discussão no grupo de dirigentes da OAB.