
Karina Ferreira da Gama, produtora de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), firmou um convênio de R$ 180 mil com a Universidade de São Paulo (USP) para capacitar educadores no uso de impressoras 3D. A parceria, assinada em 23 de maio de 2024, durou um ano e saiu no Diário Oficial de São Paulo no dia seguinte.
O acordo previa acompanhamento pedagógico da Escola do Futuro, programa de extensão ligado à Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, ao Desafio DF. O projeto do Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG de Karina, atendia 16 escolas do Distrito Federal.
Karina e o ex-marido, Wemerson Marinho da Gama, viraram alvo da Polícia Federal em 10 de setembro, em uma investigação sobre suspeitas de desvios de emendas parlamentares do deputado federal Mário Frias (PL-SP). A produtora ganhou notoriedade em apuração sobre um contrato de R$ 100 milhões para instalar pontos de Wi-Fi na periferia de São Paulo.
O contrato do ICB com o Distrito Federal para desenvolver o Desafio DF começou em dezembro de 2023, no valor de R$ 4 milhões. Um aditivo de R$ 1 milhão em 2025 elevou o total a R$ 5 milhões.

USP diz que convênio passou por análise interna
A coordenadora do núcleo de extensão da Escola do Futuro, professora Brasilina Passarelli, afirmou que não havia informações públicas que desabonassem Karina ou o ICB quando a USP assinou o convênio, em 2024. Karina e Wemerson procuraram o programa em 2023 após saberem do trabalho da universidade com cultura maker.
A Escola do Futuro forneceu vídeos de formação e supervisão pedagógica à equipe do instituto para o uso de tecnologias educacionais. “Era um trabalho que chamamos de formar o formador”, resumiu Brasilina.
A professora afirmou que a colaboração ocorreu sem encontros presenciais entre a equipe da USP e os responsáveis pelo projeto no Distrito Federal. “Não teve contato [presencial]. Eu não fui para Brasília. Ninguém da equipe foi”, disse.
Antes da aprovação, o convênio passou pelo Conselho Deliberativo da Escola do Futuro, pelo Conselho Técnico-Administrativo da ECA e pelas áreas financeira e jurídica da universidade, além da Fundação de Apoio à Pesquisa da USP. O Desafio DF previa também kits de eletrônica, plataformas digitais e ferramentas como Google Analytics, Tableau, Google Forms, Zoom e Microsoft Teams.