Dark Horse: documentos do caso podem ter sido manipulados pela polícia de Tarcísio

Jim Caviezel em cena de “Dark Horse”, filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

A Polícia Federal identificou indícios de que documentos relacionados às investigações que alcançam a produção de “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, foram manipulados depois de uma operação realizada pela Polícia Civil de São Paulo em junho. A informação consta de decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou as novas buscas realizadas nesta quinta-feira (10), segundo a CNN Brasil.

Os sinais de manipulação apareceram após a Operação WiFi Livre e durante auditorias realizadas no decorrer da investigação. No despacho, Dino afirma que foram identificados elementos indicando a existência de comunicações, arquivos eletrônicos, diferentes versões de documentos, registros de edição e dados armazenados em nuvem produzidos posteriormente à primeira diligência. A investigação ainda não atribuiu publicamente a autoria das possíveis alterações.

Dino afirmou que parte relevante das provas procuradas na nova fase não existia ou ainda não era conhecida quando as buscas de junho foram realizadas. O ministro também citou “fundado receio” de que documentos digitais, mensagens, arquivos em nuvem e registros contábeis pudessem ser ocultados, alterados ou destruídos caso as novas medidas não fossem executadas rapidamente.

A nova ofensiva ocorre depois de Dino ampliar o acesso da PF ao material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo. A corporação passou a ter acesso aos documentos, dados brutos extraídos de mídias, relatórios policiais e registros de cadeia de custódia da primeira operação. Em outra frente, a produtora Karina Ferreira da Gama entregou cerca de 25 mil páginas à PF sobre os gastos de “Dark Horse”.

Karina Gama
A dona do Instituto Conhecer Brasil (ICB), Karina Gama, e o deputado Mário Frias. Foto: Reprodução

Um dos alvos das buscas desta quinta-feira foi o deputado federal Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do filme e citado na investigação sobre emendas parlamentares destinadas ao Instituto Conhecer Brasil (ICB). A PF e a Controladoria-Geral da União deflagraram a Operação Make Up para apurar suspeitas de desvio de recursos públicos provenientes dessas emendas. Segundo comunicado oficial da PF, foram cumpridos 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal.

O ICB é comandado por Karina, que também é proprietária da Go Up Entertainment, responsável pela produção brasileira de “Dark Horse”. A investigação iniciada em São Paulo envolve um contrato de R$ 108 milhões entre a entidade e a Prefeitura de São Paulo para a instalação de pontos de internet pública. As apurações passaram a ser relacionadas ao caso no STF depois que surgiram conexões com investigações sobre possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares.

A Prefeitura de São Paulo nega qualquer vínculo entre os recursos do programa WiFi Livre e a produção do filme. Em nota à CNN, afirmou que o longa não recebeu dinheiro municipal, que não identificou irregularidades no termo de colaboração com o ICB e que a Controladoria-Geral do Município acompanha as investigações. A PF, por sua vez, informa que a Operação Make Up apura suspeitas de crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.

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