
A Europa Filmes decidiu aguardar o desfecho das investigações sobre o financiamento de “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, antes de definir uma data de estreia nos cinemas. O diretor-geral da distribuidora, Wilson Feitosa, disse que lançar o longa agora não seria “responsável”.
A decisão ganhou força nesta quinta (10), quando a Polícia Federal realizou uma operação para apurar suspeitas envolvendo recursos destinados a entidades ligadas à produção. Feitosa afirmou que a empresa só pretende colocar o filme em cartaz quando não houver possibilidade de medidas que interrompam sua exibição.
“O lançamento do filme terá que estar livre de possíveis impedimentos. Não dá para saber o desenrolar de tudo isso, mas não seria responsável fazer o lançamento deste filme com todos estes acontecimentos”, afirmou o diretor. “Estamos aguardando, é o prudente.”
A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em ação autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e a empresária Karina Gama, responsável pela Go Up Entertainment, produtora de “Dark Horse”.

PF apura emendas destinadas a entidade presidida por produtora
A investigação apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades que teriam relação com empresas envolvidas no filme. Em 2024, Frias direcionou R$ 2 milhões ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama; os pagamentos ocorreram em fevereiro e outubro de 2025.
Feitosa declarou que desconhecia a operação antes de ela ocorrer e defendeu a apuração. “Não sabia da operação, mas, se tem coisa errada, tem mais é que esclarecer”, disse.
A distribuidora já havia descartado lançar o longa durante a campanha eleitoral. Em agosto, Feitosa avaliou que a estreia não seria estratégica naquele período e mencionou a experiência de “Lula, o Filho do Brasil”, lançado em 2010. O cronograma de “Dark Horse” ainda não tinha data definida.
O financiamento do filme também é alvo de outra frente de investigação, sob relatoria do ministro André Mendonça, como desdobramento do caso Banco Master. Mensagens reunidas na apuração indicaram que o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pediu R$ 130 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para o projeto, dos quais R$ 61 milhões teriam sido pagos.
Nesta semana, Mendonça homologou a delação do operador financeiro Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro. Ele confirmou à Procuradoria-Geral da República ter feito sete transferências que totalizaram US$ 12,3 milhões ao fundo Havengate, a pedido de Vorcaro; o fundo foi usado no financiamento de “Dark Horse”. Flávio Bolsonaro não é alvo da operação autorizada por Dino.