
A Junta Missionária de Pinheiros e a Igreja Presbiteriana de Pinheiros, na qual o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça é pastor, fecharam um acordo de R$ 106.347,92 com uma ex-funcionária que acusou o reverendo Arival Dias Casimiro de assédio durante o período em que trabalhou na instituição. O processo terminou sem sentença sobre o mérito das acusações.
A trabalhadora ajuizou a ação em maio de 2025 na 34ª Vara do Trabalho de São Paulo. Ela afirmou que atuou como auxiliar administrativa da Junta Missionária entre 2021 e 2024 e relatou abordagens que considerava inadequadas por parte de Arival, presidente da entidade e liderança da igreja.
Na ação, a ex-funcionária apresentou capturas de conversas de WhatsApp e disse que os contatos começaram com elogios e mensagens pessoais. Ela também alegou que o pastor enviava mensagens fora do horário de trabalho, sugeria encontros reservados e fazia comentários sobre sua aparência.
A Igreja Presbiteriana de Pinheiros e a Junta Missionária contestaram a forma como parte das conversas e dos depoimentos de testemunhas foi apresentada. As instituições pediram que o caso corresse sob segredo de justiça, mas a juíza negou o pedido em 11 de junho de 2025, pois a própria autora dispensou o sigilo.

Acordo reconheceu mensagens como inadequadas
As partes firmaram a conciliação em 24 de julho de 2025, antes da audiência de instrução. No documento, a Junta Missionária e a Igreja Presbiteriana reconheceram que algumas mensagens citadas no processo foram “inoportunas, inadequadas e infelizes”.
O acordo também estabeleceu que a conciliação não significava reconhecimento de culpa, responsabilidade ou confissão pelas acusações da ex-funcionária. Além dos R$ 106.347,92 destinados à trabalhadora, a composição previa R$ 21.269,58 em honorários advocatícios.
Em documento anexado posteriormente, a Junta Missionária informou que realizou uma apuração interna e firmou um termo de ressarcimento com o “colaborador responsável direto pelos atos que originaram o feito”. Um comprovante juntado aos autos aponta que Arival transferiu R$ 128 mil à entidade em 25 de julho de 2025.
A ex-funcionária informou em 30 de julho de 2025 que recebeu integralmente os valores previstos. A Justiça declarou extinta a execução e arquivou o processo, enquanto o acordo permitiu que eventuais questões disciplinares eclesiásticas continuassem sob análise interna, conforme as normas da Igreja Presbiteriana do Brasil.