A vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial cresce significativamente entre mulheres e eleitores negros. No conjunto do eleitorado, o presidente aparece sete pontos à frente do senador, com 36% contra 29%. Entre as mulheres, a diferença sobe para 11 pontos; entre os pardos, chega a 12; e, entre os pretos, alcança 21 pontos de diferença.
Flávio perde terreno justamente entre mulheres e negros
Os números deixam clara a dificuldade de Flávio Bolsonaro para avançar sobre segmentos nos quais Lula mantém ampla vantagem. Entre os homens, o senador consegue encostar no presidente, com 33% contra 35%. Entre as mulheres, porém, a diferença salta para 11 pontos: Lula tem 37%, contra 26% de Flávio.
O contraste é ainda mais forte quando a pesquisa considera raça e cor. Flávio lidera entre os eleitores brancos, com 35% contra 32% de Lula. Entre os pardos, porém, o senador fica 12 pontos atrás, com 26% contra 38% do presidente. Entre os pretos, a distância chega a 21 pontos. Lula tem 46%, enquanto Flávio registra apenas 25%.
A diferença não é pequena nem concentrada em um único segmento. Ela se repete entre dois dos maiores recortes demográficos da pesquisa e se torna especialmente larga entre os eleitores negros. Enquanto Flávio consegue uma vantagem de três pontos entre brancos, Lula abre 21 pontos entre pretos.
Entre os mais pobres, vantagem de Lula é ainda maior
A renda reforça a distância. Entre os eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos, Lula alcança 49%, contra apenas 18% de Flávio, uma diferença de 31 pontos. Na faixa entre dois e cinco salários mínimos, os dois ficam praticamente empatados, com 32% para Lula e 33% para o senador. Acima de cinco salários mínimos, Flávio passa à frente, com 39%, contra 29% de Lula.
A escolaridade repete parte desse desenho. No ensino fundamental, Lula tem 45%, contra 23% de Flávio. O senador passa à frente no ensino médio, por 33% a 29%, e mantém vantagem mínima entre eleitores com ensino superior: 33% a 32%.
O recorte religioso também evidencia uma divisão. Lula lidera entre católicos, com 41% contra 26% de Flávio. Entre evangélicos, ocorre o inverso: o senador tem 42%, enquanto o presidente registra 22%.
No segundo turno, Flávio continua atrás entre mulheres e negros
A vantagem de Lula não desaparece quando a pesquisa coloca os dois candidatos frente a frente. No segundo turno, o presidente tem 43% entre as mulheres, contra 37% de Flávio. Entre os homens, o cenário se inverte: o senador chega a 46%, contra 39% de Lula.
Entre pardos, Lula marca 45%, contra 37% de Flávio. A maior distância aparece novamente entre os eleitores negros: 52% para Lula e 31% para o senador, uma diferença de 21 pontos. Entre brancos, Flávio lidera por 48% a 34%.
O levantamento foi realizado entre 3 e 6 de setembro, com 2.004 entrevistados. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
No primeiro turno, Lula aparece com 36% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro, com 29%. Augusto Cury tem 8%; Renan Santos e Ronaldo Caiado, 3% cada; Romeu Zema, 2%; e Samara Martins, 1%. Outros candidatos somam 0%, enquanto brancos e nulos chegam a 8% e 10% estão indecisos.
No segundo turno, a disputa nacional aparece empatada em 41% a 41%, com 13% de votos brancos ou nulos e 5% de indecisos. O empate, porém, esconde diferenças expressivas no comportamento de grupos específicos: entre mulheres, pardos e pretos, Lula mantém vantagem sobre o candidato do PL.