O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem empatados com 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno das eleições presidenciais. É o que indica a nova pesquisa Meio/Ideia, divulgada nesta quarta-feira (9). O resultado mostra um estreitamento na disputa em relação a agosto, quando o atual mandatário liderava o cenário com 48,5% contra 43% do parlamentar.
No primeiro turno estimulado, a vantagem do petista também caiu para a margem de erro: Lula registra 38,4%, enquanto Flávio soma 37,3%. No levantamento do mês anterior, os dois figuravam com 43% e 35%, respectivamente. O movimento marca o menor índice do presidente e o patamar mais alto do senador nas nove rodadas da série histórica do instituto.
Nos testes para o segundo turno contra outros nomes da oposição, Lula mantém a liderança, embora com margens variadas: supera Ronaldo Caiado (46% a 42%), Augusto Cury (46% a 40,9%), Renan Santos (46% a 40,3%) e Romeu Zema (46% a 38%).
O levantamento do Meio/Ideia captou os reflexos do recente agravamento da crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal (STF) e a Polícia Federal (PF). Na terça-feira (8), a crise ganhou novos contornos com a decisão do ministro André Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.
Cenário do 1º turno na pesquisa Meio/Ideia
| Candidato | Intenção de voto (%) |
| Lula (PT) | 38,4% |
| Flávio Bolsonaro (PL) | 37,3% |
| Augusto Cury (Avante) | 6,6% |
| Renan Santos (Missão) | 4,0% |
| Ronaldo Caiado (PSD) | 4,0% |
| Romeu Zema (Novo) | 1,5% |
| Pablo Marçal (PRTB) | 1,5% |
| Outros candidatos | 1,4% |
| Brancos / Nulos | 2,5% |
| Não sabem | 2,8% |
Desgaste com corrupção atinge os dois lados
A pauta da corrupção surge como o principal motor da rejeição do eleitorado, apontada por 48,5% dos entrevistados como o maior motivo para descartar um nome na urna. O tema atinge diretamente as duas candidaturas de maior apelo popular.
Flávio Bolsonaro sofre desgaste após a divulgação de mensagens e áudios em que solicita valores ao controlador do Banco Master, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A apuração indica maior vulnerabilidade da imagem do senador: entre os 76,3% dos eleitores que declaram ter conhecimento das gravações, 47,9% afirmam que o episódio reduz as chances de votar no parlamentar.
Lula, por sua vez, enfrenta a repercussão das investigações sobre o escândalo no INSS, diante das acusações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, fato conhecido por 80,3% dos entrevistados. Contudo, o impacto direto no voto do petista é menor: 24,5% dos que souberam das denúncias dizem que o caso diminui a disposição de votar na reeleição. A percepção geral de desencanto reflete-se na concordância de 41,9% dos ouvidos com a tese de que “os dois lados da política brasileira são igualmente corruptos“.
O desgaste das investigações estendeu-se às instituições públicas. De acordo com o levantamento, 49,7% dos entrevistados afirmam ter pouca ou nenhuma confiança no STF, e 48,5% expressam visão negativa sobre a atuação da Polícia Federal.
Economia e rejeição acentuam volatilidade
A percepção sobre o desempenho econômico tem funcionado como um obstáculo adicional para a recuperação do governo federal. A aprovação da gestão Lula na área econômica é de 32% (bom ou ótimo), caindo para 28,3% na classe C, segmento em que a avaliação negativa (ruim ou péssimo) chega a 47,5%. Na média geral, o governo registra 48,4% de desaprovação e 46,5% de aprovação.
Ainda, vale ressaltar, que a transferência de votos da terceira via para Flávio Bolsonaro em uma eventual etapa final não é automática. Entre os eleitores de Augusto Cury, por exemplo, 36,4% aprovam a gestão do atual presidente. Já entre os apoiadores de Ronaldo Caiado e Renan Santos, a desaprovação a Lula atinge dois terços e três quartos do eleitorado, respectivamente.
O levantamento Meio/Ideia ouviu 1.500 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre os dias 4 e 7 de setembro. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-07935/2026.