
Um manifesto assinado por 157 empresários, executivos, economistas, cientistas e personalidades cobra uma investigação “completa, célere e independente” dos fatos que alimentam a atual crise do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento também defende o afastamento cautelar de autoridades que venham a ser formalmente investigadas e a criação de um código de conduta vinculante para as cortes superiores e órgãos de investigação e acusação. Com informações do Estadão.
Entre os signatários estão o apresentador Luciano Huck, a empresária Luiza Helena Trajano e os economistas Armínio Fraga, André Lara Resende, Gustavo Franco, Persio Arida, Elena Landau e Mailson da Nóbrega. A lista inclui ainda nomes como Fábio Barbosa, Pedro Parente, Guilherme Leal, Walter Schalka, Paulo Kakinoff, Mayana Zatz, Fernando Reinach, Sílvio Meira e o grupo “Mulheres do Brasil”.
Batizado de “Pela lei e pelo Brasil”, o manifesto afirma que os episódios recentes “não constituem um episódio isolado” e os define como consequência de “um sistema doente, que deixou de aplicar a si mesmo os freios que impõe a todos os demais”. O texto ressalta que a cobrança não é dirigida contra pessoas específicas e sustenta que as instituições precisam esclarecer responsabilidades com respeito ao devido processo legal.
A articulação de empresários e executivos em torno de um manifesto sobre a crise do Judiciário já vinha ocorrendo nos últimos dias. A iniciativa ganhou força em meio às revelações envolvendo o Banco Master e ao confronto entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que passou a envolver também a cúpula da Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República.

No documento, os signatários afirmam que as referências surgidas no caso alcançam ministros do Supremo, dirigentes da PF e do Ministério Público, integrantes do Congresso e pessoas próximas tanto do atual quanto do ex-presidente da República. O manifesto não atribui culpa a essas autoridades, mas sustenta que a extensão das citações exige apuração urgente e independente.
O grupo também retoma uma reivindicação feita em dezembro de 2025 pela adoção de um código de conduta no Supremo. A proposta não avançou. Agora, os signatários defendem regras vinculantes para tribunais superiores e órgãos responsáveis por investigar e acusar, além do afastamento cautelar daqueles que forem formalmente colocados sob investigação.
Walter Schalka, integrante do conselho de administração da Suzano e um dos signatários, afirmou que o presidente do STF, Edson Fachin, “tem a obrigação, não o direito, de tomar medidas de forma célere”. Ele também defendeu mobilização social caso não haja resposta institucional. O manifesto será publicado na edição impressa do Estadão desta quarta-feira (9), em meio à pressão crescente para que o Supremo defina como serão apurados os diferentes episódios da crise.