Lula sobe o tom na propaganda e mostra Bolsonaros como “traidores da pátria”

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prepara uma nova ofensiva contra a família Bolsonaro no horário eleitoral gratuito desta terça-feira (8). A propaganda da noite deve classificar os integrantes do clã como “traidores da pátria”, ao associar o grupo político ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros e às pressões contra o sistema de pagamentos Pix.

A estratégia amplia o tom adotado pela campanha nos últimos dias e desloca o centro da disputa para a questão da soberania nacional. A mensagem é que adversários internos teriam contribuído para interesses estrangeiros em prejuízo da economia brasileira.

A expressão não é inédita na campanha de Lula. No início de setembro, o presidente já havia utilizado o termo ao falar de setores que, segundo ele, estariam dispostos a entregar recursos estratégicos brasileiros a interesses estrangeiros. Em seu programa eleitoral, a referência foi direcionada à família Bolsonaro.

Tarifaço vira arma eleitoral

O principal eixo da nova comunicação é o conflito comercial com os Estados Unidos. Lula tem procurado apresentar as tarifas norte-americanas como uma questão de soberania nacional, contrapondo sua política externa à postura de seus adversários.

No pronunciamento do 7 de Setembro, o presidente afirmou que o Brasil não será “colônia de ninguém” e defendeu que o país tenha autonomia para definir seus parceiros comerciais. Também vinculou a defesa da soberania ao controle brasileiro sobre recursos estratégicos, como terras raras, petróleo e água.

A campanha pretende explorar politicamente a atuação dos Bolsonaro diante do governo Trump, sobretudo declarações e iniciativas que possam ser apresentadas como apoio ou tolerância às medidas norte-americanas contra o Brasil.

O objetivo é transformar o entreguismo das elites em uma escolha eleitoral: de um lado, Lula e a defesa da soberania econômica; de outro, os adversários apresentados como alinhados aos interesses de Washington.

Pix entra no confronto

Outro elemento da propaganda é o Pix. A campanha de Lula pretende associar a família Bolsonaro às ameaças e pressões envolvendo o sistema de pagamentos brasileiro, explorando o tema como símbolo de interferência estrangeira e de defesa da autonomia nacional.

O assunto tem forte potencial eleitoral porque o Pix se tornou um dos instrumentos mais disseminados no cotidiano dos brasileiros. A disputa política em torno do sistema já havia provocado forte repercussão durante o governo Lula, inclusive depois da circulação de informações falsas sobre uma suposta taxação do Pix.

A campanha busca agora deslocar o debate para a ideia de que interesses estrangeiros poderiam atingir uma ferramenta criada e desenvolvida no sistema financeiro brasileiro.

Ofensiva ocorre em cenário acirrado

A mudança de tom acontece quando a corrida presidencial apresenta sinais de maior equilíbrio.

No primeiro turno, porém, Lula permanece numericamente na frente: 39%, contra 35% de Flávio, segundo Pesquisa BTG/Nexus divulgada nesta terça-feira. Augusto Cury aparece em terceiro, com 9%. Em uma simulação de segundo turno, aponta Flávio Bolsonaro com 46% das intenções de voto contra 45% de Lula. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais, há empate técnico. O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre 4 e 7 de setembro e foi registrado no TSE sob o número BR-06790/2026.

O resultado ajuda a explicar a intensificação da estratégia. Com a diferença entre Lula e Flávio reduzida no segundo turno, a campanha do presidente passa a explorar com maior intensidade temas capazes de mobilizar eleitores além da tradicional identificação partidária.

Disputa sem meias palavras

A escalada já vinha sendo construída no horário eleitoral. Na semana passada, Lula utilizou sua propaganda para criticar Flávio Bolsonaro também em torno da proposta de redução da jornada de trabalho e do fim da escala 6×1.

Em inserção veiculada no rádio, o presidente afirmou que seus adversários estariam atuando contra os trabalhadores. Outra peça apresentou uma declaração de Flávio sobre a proposta e o classificou como “o pior dos Bolsonaros”.

A nova propaganda dá mais um passo nessa direção. Ao utilizar a expressão “traidores da pátria”, Lula procura não apenas criticar Flávio individualmente, mas atingir a identidade política construída pela família Bolsonaro em torno de patriotismo, soberania e nacionalismo.

A eleição entra, assim, em uma fase na qual os candidatos passam a disputar não apenas propostas e resultados de governo, mas também a interpretação sobre quem representa os interesses nacionais diante da pressão externa.

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