
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), citou a distopia “1984”, de George Orwell, ao determinar na terça (8) o afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. A decisão integra a crise aberta no Supremo em torno de relatórios da PF que analisavam a atuação de ministros da Corte.
Na decisão, Mendonça escreveu que o quadro apresentado “mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada ‘1984’”. O livro acompanha Winston Smith em uma sociedade repressiva, na qual o chamado Ministério da Verdade controla as informações e a propaganda do regime.
O ministro listou a elaboração dos relatórios de inteligência e a ciência prévia dada a Alexandre de Moraes sobre os documentos entre os elementos que embasaram sua avaliação. Mendonça também apontou a divulgação posterior dos materiais como parte dos fatos sob análise.
“A posterior divulgação desses ‘documentos’ revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo Tribunal Federal, além de outras autoridades públicas”, afirmou Mendonça.

Sobre o que é “1984”
“1984” é uma distopia publicada em 1949 que retrata uma sociedade submetida a um regime totalitário. Nesse mundo, o Estado exerce controle quase absoluto sobre a população, interferindo não apenas nas ações, mas também nos pensamentos e na percepção da realidade.
Um dos principais símbolos da obra é o Grande Irmão, figura que representa o poder soberano e onipresente. Por meio de sistemas de vigilância, os cidadãos são constantemente observados e controlados, criando um ambiente em que não há verdadeira privacidade.
O livro aborda temas como vigilância, controle da informação, manipulação da verdade e repressão política. A obra mostra como o domínio sobre informações e sobre a linguagem pode ser utilizado para controlar a sociedade e moldar aquilo que as pessoas consideram verdadeiro.