VÍDEO – Número 2 da PF defende Andrei Rodrigues: “Não nos deixaremos abalar por ataques”

William Marcel Murad, diretor-executivo da Polícia Federal
William Marcel Murad, diretor-executivo da Polícia Federal, em sessão no Senado em 2015. Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

O diretor-executivo da Polícia Federal, William Marcel Murad, defendeu publicamente o diretor-geral Andrei Rodrigues nesta terça (8) e afirmou que a corporação não se deixará abalar por “ataques”. Ele é o segundo na hierarquia da corporação e falou na abertura do LXIII Curso de Formação Profissional para agentes.

“Não nos deixaremos abalar por ataques, venham de onde vier. E aqui, reafirmamos, reafirmo, nossa total confiança na direção geral, no diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues”, disse Murad. Ele ainda afirmou que a instituição atravessará a “tempestade” com serenidade.

O discurso ocorreu no Teatro de Arena da Academia Nacional de Polícia, em Brasília, diante de 763 alunos. Andrei Rodrigues deveria abrir formalmente a formação dos novos agentes, mas não participou da cerimônia após os desdobramentos da crise institucional.

Murad afirmou que investigadores atuam de forma “técnica, imparcial e livre de qualquer viés político”. Para ele, o trabalho dentro da lei e o compromisso com o interesse público sustentam a confiança de que “a verdade dos fatos” prevalecerá nas investigações.

Decisão de André Mendonça afastou diretor-geral preventivamente

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento preventivo e imediato de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa. A medida busca apurar a produção de relatórios apócrifos de inteligência que monitoravam autoridades, entre elas o próprio relator e o advogado-geral da União, Jorge Messias.

A Segunda Turma do STF formou maioria de 3 votos a 0 para manter a decisão cautelar, mas o julgamento virtual está suspenso após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. O caso ainda depende da conclusão da análise pelos integrantes do colegiado.

Na fala aos alunos, Murad também citou “tentativas de descredibilizar” o trabalho da corporação, que classificou como alegações “dissociadas da realidade e outros disparates”. Ele sustentou que essas críticas não têm repercussão interna nem na sociedade e na imprensa.

O diretor-executivo disse que a PF tem o dever de defender suas atribuições contra “ataques e tentativas de usurpação de funções”. Segundo ele, o respeito às competências das instituições do sistema de Justiça Criminal assegura a legalidade das investigações e das futuras condenações.

Interlocutores da Polícia Federal relataram que a cúpula recebeu a determinação com “indignação e revolta” e a considera uma “decisão política”. Andrei Rodrigues ainda não teria recebido notificação formal; quando isso ocorrer, o planejamento interno prevê que Murad assuma imediatamente a direção-geral da corporação.

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