O que Alcolumbre diz sobre pautar impeachment de ministros do STF

Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes em evento em Brasília
Davi Alcolumbre e Alexandre de Moraes durante evento em Brasília, em 2025. Foto: Reprodução

Aliados do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), avaliam que ele aguardará o resultado das eleições de 2026 antes de decidir se abre processos de impeachment contra ministros do STF. O cálculo leva em conta a futura composição da Casa, que terá 54 novos senadores, e a disputa pelo comando do Senado em fevereiro do ano seguinte.

Segundo a Folha, uma pessoa próxima a Alcolumbre afirmou que ele não pretende ceder agora à pressão bolsonarista pelo afastamento de integrantes da corte. A definição sobre a abertura de eventual processo e sobre qual ministro seria alvo dependeria do peso que o grupo terá no Senado depois da votação.

Para aliados do senador, o impeachment de Alexandre de Moraes se tornou uma possível moeda de negociação para atrair votos de senadores bolsonaristas à reeleição de Alcolumbre na Presidência do Senado. O presidente da Casa mantém amizade com Moraes e, até aqui, se posicionou contra o afastamento do ministro.

Parlamentares que antes descartavam a hipótese de impeachment passaram a admitir que um pedido pode avançar no atual ambiente político. A ofensiva contra Moraes ganhou força entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro após sua condenação por tentativa de golpe.

André Mendonça e Alexandre de Moraes, ministros do STF. Foto: reprodução

André Mendonça também entra nas discussões no Senado

O ministro André Mendonça ampliou a pressão sobre o Supremo ao revelar, na terça-feira (01), detalhes da relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. As informações impulsionaram candidaturas ao Senado que defendem medidas contra integrantes da corte.

Alcolumbre também discutiu com pessoas de confiança a possibilidade de abrir um impeachment contra Mendonça, de quem é desafeto. Um interlocutor do senador afirmou que o ministro atropelou o rito formal ao pedir, na semana anterior, uma investigação contra Moraes.

Parte dos argumentos considerados contra Mendonça está em um relatório sem assinatura mencionado por Moraes na apuração sobre suposto abuso de autoridade do colega. Senadores governistas também passaram a reconhecer que o cenário pode atingir mais de um ministro e reabrir discussões sobre mudanças no Judiciário, como mandatos fixos no STF.

O senador Cid Gomes (PSB-CE) defendeu que o Supremo se pronuncie diante das acusações. “A minha opinião é que a gente deve dar um tempo para que, diante de todos esses escândalos, o próprio Supremo dê uma posição. Acho que, se não der, o Senado ficará na obrigação de fazer alguma coisa”, disse. Após conversar com Moraes na quarta-feira (02), Alcolumbre citou o pedido de R$ 130 milhões feito por Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro e afirmou: “E agora o culpado sou eu e o ministro Alexandre de Moraes”.

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