
O presidente Lula afirmou neste sábado (5) que o Brasil vai ampliar os investimentos para desenvolver inteligência artificial voltada ao português. Em discurso em São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, ele colocou a criação de tecnologia própria entre as prioridades do país. “Vamos investir mais. Agora, nós vamos querer dominar essa história de inteligência artificial. Eu não quero ficar dependendo da China e nem dos Estados Unidos. Nós queremos inteligência artificial em português!”, declarou.
O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA) prevê R$ 23 bilhões em investimentos até 2028 e estabelece como um de seus objetivos o desenvolvimento de modelos avançados de linguagem em português treinados com dados nacionais. A proposta é fazer com que os sistemas incorporem melhor a diversidade cultural, social e linguística brasileira.
Dentro do plano, uma ação específica reserva R$ 1,1 bilhão para a construção e curadoria de bases nacionais e para o desenvolvimento de grandes modelos de linguagem, os chamados LLMs, especializados em português. O documento oficial do PBIA estabelece como meta a construção de um modelo robusto e seguro para o idioma e aponta como objetivos reduzir a dependência tecnológica externa e adaptar os sistemas às características brasileiras.
A estratégia exige capacidade computacional própria. Em agosto, o governo anunciou um supercomputador de IA de R$ 1,06 bilhão, que deverá ser instalado no Parque Científico e Tecnológico Augusto Severo, em Macaíba, no Rio Grande do Norte. O equipamento terá capacidade projetada para realizar cerca 7,2 quintilhões de operações matemáticas por segundo, e será usado por universidades, centros de pesquisa, órgãos públicos e empresas para desenvolver e treinar sistemas de inteligência artificial.
🤖 O presidente Lula falou em ato em São José do Rio Preto que vai investir em IAs, querendo “uma IA que fale português.” pic.twitter.com/EKFkNr0Fxm
— deok (@lauricadeok) September 5, 2026
O equipamento faz parte de uma infraestrutura maior desenhada para que pesquisadores brasileiros possam treinar modelos sem depender exclusivamente da capacidade computacional das grandes plataformas estrangeiras. O governo também planejou a aquisição de mais de um supercomputador e prevê transferência de tecnologia, desenvolvimento de software nacional e apoio a empresas brasileiras de IA.
A ênfase no português é um dos pontos centrais do PBIA. O plano prevê que os modelos sejam alimentados por bases nacionais justamente para incorporar particularidades da língua, da legislação e da realidade brasileira. A iniciativa inclui não apenas a criação do modelo, mas a construção da infraestrutura de dados e software necessária para que ele possa ser treinado e utilizado no país.
A declaração de Lula transforma esse objetivo técnico em compromisso político explícito. O governo já havia colocado R$ 23 bilhões na estratégia nacional de inteligência artificial e iniciado a montagem da infraestrutura computacional. Agora, o presidente resume a ambição em uma frase: o Brasil quer deixar de ser apenas usuário de modelos produzidos no exterior e construir inteligência artificial capaz de operar a partir do português e dos dados brasileiros.