A Procuradoria-Geral da República (PGR) informou nesta sexta-feira (5) que vai investigar se houve ordem ou interferência externa na elaboração do relatório da Polícia Federal que expôs mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes.
O documento foi divulgado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A apuração se soma ao pedido de nulidade apresentado na última terça-feira (1º) pela PGR contra o relatório . Para o órgão, Mendonça determinou diligências sem provocação do Ministério Público ou da própria PF, ultrapassando os limites da atuação de um ministro na fase pré-processual.
O procurador-geral afirmou que, caso Mendonça tivesse identificado algum indício de irregularidade envolvendo Moraes, o procedimento deveria ter sido submetido ao presidente do STF, Edson Fachin, para decisão do plenário.
Segundo Gonet, a ordem de Mendonça para identificar interlocutores e pessoas citadas por Vorcaro foi mantida oculta da PGR. Ele afirma que o Ministério Público foi impedido “de realizar o necessário controle externo da atividade policial, etapa essencial a qualquer investigação”.
O procurador-geral enviou ofício a Edson Fachin pedindo que o plenário do STF autorize a apuração da conduta de Mendonça.
“Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais”, escreveu Gonet.
Mendonça retirou o sigilo do relatório, obtido no âmbito da investigação sobre o Banco Master. O documento expõe mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes nos dias anteriores à prisão do banqueiro, em novembro de 2025.
Em uma delas, Vorcaro perguntou se deveria deixar o Brasil. Em outra, indagou se havia possibilidade de prisão na manhã seguinte. As eventuais respostas de Moraes não foram preservadas: segundo a PF, as conversas eram feitas por mensagens de visualização única, com imagens de textos redigidos no aplicativo de notas do celular.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou que o escândalo do Banco Master seja investigado “sem blindagem de ninguém”. Ele afirmou que a sociedade tem direito de conhecer os fatos e atribuiu ao STF e à PGR a responsabilidade de assegurar firmeza, transparência e confiança nas apurações.
Lula também defendeu reformas profundas nos sistemas político e judiciário. Ao tratar da crise no Supremo, disse que ninguém pode usar o cargo em benefício pessoal e que todos devem se submeter aos mesmos trâmites legais — sem denuncismo, vazamentos seletivos ou ocultação de informações.
A divulgação do material pelo ministro André Mendonça, no entanto, alimentou imediatamente a ofensiva da extrema direita contra Moraes e o STF.
Indicado por Jair Bolsonaro para a Corte, Mendonça abriu uma frente de conflito institucional num momento em que Flávio Bolsonaro tenta catapultar sua candidatura à Presidência e transformar ataques ao Supremo em eixo da campanha.
O caso do Banco Master envolve relações que alcançam diferentes setores do poder. Mas a forma adotada por Mendonça para conduzir e publicizar o relatório concentrou os holofotes sobre Moraes, oferecendo à direita bolsonarista um discurso pronto contra um de seus adversários preferenciais.