
A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas aprovou nesta sexta-feira (4), por 164 votos a favor, uma resolução contra as distorções provocadas pela projeção de Mercator, ainda amplamente utilizada em mapas escolares, plataformas digitais e documentos oficiais. Os Estados Unidos foram o único país a votar contra a proposta.
O texto levado à votação recebeu o título “Corrija o mapa” e foi apresentado por países do Grupo Africano. A resolução incentiva governos, organizações internacionais e outras instituições a adotar e difundir a projeção Equal Earth e outros modelos de área equivalente quando a comparação do tamanho dos territórios for relevante.
Criada no século 16 para auxiliar a navegação marítima, a projeção de Mercator preserva direções, mas amplia visualmente regiões distantes da linha do Equador. Áreas próximas aos polos parecem muito maiores, enquanto territórios equatoriais ficam proporcionalmente reduzidos.
O efeito é particularmente visível na representação da África, da América Latina e do sul da Ásia. Europa, América do Norte e Groenlândia ganham uma dimensão visual desproporcional quando comparadas com regiões que, no globo, ocupam áreas muito maiores.

A resolução afirma que essas distorções não produzem apenas erros de percepção geográfica. Segundo o documento, elas têm efeitos cognitivos, educacionais, culturais, geopolíticos e socioeconômicos, além de contribuírem para uma “minimização simbólica” da África no imaginário coletivo.
A Equal Earth, chamada de Terra Igual em português, preserva a proporção relativa das áreas continentais. Isso não significa que o modelo elimine todas as deformações: o próprio documento reconhece que nenhuma projeção consegue representar perfeitamente uma superfície curva em um plano. Cada modelo atende a uma finalidade diferente.
A decisão também não aposenta imediatamente a projeção de Mercator. O texto não estabelece proibição nem prazo para sua retirada e preserva seu emprego na navegação. A resolução recomenda que escolas, meios de comunicação, instituições públicas e plataformas digitais utilizem representações mais precisas quando o tamanho dos territórios for parte essencial da informação.
A votação transforma em posição majoritária da Assembleia Geral uma campanha que já contava com o apoio da União Africana. Em 2025, o DCM mostrou que países africanos pressionavam pela revisão do mapa-múndi. O documento aprovado agora pede que o secretário-geral acompanhe sua implementação e determina que o tema volte à agenda da ONU na 83ª sessão da Assembleia.