
O publicitário Eduardo Fischer afirmou que enfrentou “uma crise todo dia” durante os pouco mais de dois meses em que trabalhou na pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em entrevista à Veja, ele atribuiu as dificuldades a episódios externos à equipe de comunicação, incluindo a controvérsia sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, o rompimento público com Michelle Bolsonaro e imagens que associaram o senador a Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Fischer disse que entrou na equipe para tornar Flávio mais conhecido pelo eleitorado, já que Jair Bolsonaro tinha maior reconhecimento nacional. Segundo o publicitário, o candidato perdeu 6 pontos percentuais em 20 dias durante a crise ligada ao filme, antes de a sucessão de novos episódios dificultar a estratégia inicial.
O publicitário citou o jingle “Vem com Fé”, que, segundo ele, superou 55 milhões de visualizações, e a série “Fox Bravo”, produzida com inteligência artificial e centrada em vídeos de Flávio pilotando caças. Fischer afirmou que a série alcançou mais de 15 milhões de visualizações.
Ao avaliar o período, ele mencionou uma pesquisa BTG/Nexus que teria apontado Flávio com 45% e Lula com 46% ao final do contrato, cenário que classificou como empate técnico. A equipe não permaneceu na campanha após a pré-campanha; Fischer disse que a decisão foi mútua e amigável, sem detalhar as “forças ocultas” às quais atribuiu o desfecho.
🚨 VEM COM FÉ: Durante a convenção que oficializou Flávio Bolsonaro como candidato à Presidência da República, o público voltou a ouvir o jingle “Vem com Fé”, música-tema da campanha, reforçando a identidade e a mensagem que acompanharão a candidatura ao longo da disputa… pic.twitter.com/Byz5Xfw6oq
— Joaquim Ribeiro (@joaquimrib1801) July 26, 2026
Vídeo de Jair Bolsonaro com IA entrou na discussão sobre regras eleitorais
Fischer apontou como principal contribuição de sua equipe o vídeo gerado por inteligência artificial com Jair Bolsonaro, exibido em uma convenção. Na gravação, o avatar avisava logo no início: “Não sou eu. Aqui é um avatar meu”. O publicitário afirmou que o material levou o Supremo Tribunal Federal a discutir o uso da ferramenta em campanhas eleitorais.
Ele também relatou que viajou a Buenos Aires com Flávio Bolsonaro para convidar o presidente argentino Javier Milei para o lançamento da campanha. Fischer disse que a ação fazia parte de uma aposta na chamada “onda azul”, associada ao avanço de forças de direita na América Latina.
Sobre os casos Dark Horse e Banco Master, Fischer defendeu esclarecimentos rápidos. “As instituições brasileiras, e alguns políticos, estão expostos. É urgente que se esclareçam essas dúvidas que pairam sobre eles”, declarou, ao afirmar que a ausência de respostas pode ampliar a rejeição a instituições e candidatos.
O publicitário criticou a ausência de candidatos em debates e sustentou que o eleitor não deveria aceitar essa prática. Para ele, quem disputa uma eleição deve comparecer, apresentar propostas e se posicionar diante do público, em vez de limitar a campanha à comunicação digital.
Fischer avaliou que a televisão mantém peso eleitoral, apesar da força das redes sociais na pré-campanha. Ele argumentou que a mídia tradicional alcança parcelas da população que ainda dependem da TV para conhecer candidatos, enquanto as plataformas digitais ajudam a ampliar o reconhecimento de nomes antes do período oficial de campanha.
Ao comentar a propaganda petista, Fischer disse que admirava trabalhos anteriores de Duda Mendonça e João Santana, mas considerou que a comunicação de Lula ficou abaixo daquele padrão. Ele afirmou que declarações do presidente, entre elas a frase sobre traficantes e usuários de drogas, forneceram material para críticas da equipe de Flávio Bolsonaro.
Fora da disputa eleitoral, Fischer lamentou a perda de qualidade e criatividade da publicidade brasileira. O criador da campanha “A Número 1”, da Brahma, defendeu que grandes marcas ainda recorram a meios tradicionais para construir alcance nacional e afirmou que campanhas capazes de emocionar o público tendem a vender mais do que conteúdos que classificou como “trash”.