
A campanha do presidente Lula busca uma forma de se aproximar de Augusto Cury (Avante) porque avalia que o escritor tende hoje a apoiar o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno das eleições de 2026.
O esforço mira também os eleitores de Cury. Um levantamento Datafolha divulgado nesta quinta-feira (03) apontou que 42% desse grupo escolheriam Flávio em uma disputa de segundo turno, enquanto 30% votariam em Lula.
Aliados do presidente identificam dificuldade para criar canais de diálogo com um eleitorado influenciado por coaches e por discursos de autoajuda, segmento associado à trajetória pública de Cury como escritor de best-sellers.
A campanha considera a experiência eleitoral de Pablo Marçal em 2024 como um precedente dessa limitação da esquerda para alcançar parcelas do público mobilizadas por esse tipo de discurso.

Datafolha aponta vantagem de Flávio entre eleitores de Cury
A diferença de 12 pontos percentuais entre Flávio Bolsonaro e Lula no recorte dos eleitores de Cury orienta a tentativa de construir pontes com o candidato do Avante e com seu público.
Flávio Bolsonaro, senador pelo PL, surge como o nome que recebe a maior parcela das intenções de voto desse eleitorado no cenário de segundo turno apresentado pela pesquisa.
Augusto Cury construiu notoriedade nacional com livros sobre comportamento, saúde emocional e desenvolvimento pessoal. A campanha de Lula procura entender como abordar os eleitores atraídos por essa mensagem sem repetir as dificuldades vistas em 2024.
O cenário descrito pela pesquisa trata de intenções de voto entre os eleitores de Cury em um possível segundo turno e não registra, até o momento, uma declaração pública de apoio do escritor a Flávio Bolsonaro.