
O banqueiro Daniel Vorcaro atribuiu a nervosismo as mensagens nas quais ordenou agressões ou ameaças contra adversários e afirmou que as ações não se concretizaram. Ele tratou das suspeitas de comandar um grupo armado em depoimento prestado a auxiliares do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em uma das mensagens apreendidas pela Polícia Federal, Vorcaro pediu a Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, que o jornalista Lauro Jardim, de “O Globo”, sofresse uma agressão durante um assalto simulado. “Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu. Em outro diálogo, disse sobre uma empregada da atriz Monique Alfradique: “Tem que moer essa vagabunda”.
A investigação da PF aponta que Vorcaro comandava um grupo liderado por Sicário e integrado inclusive por policiais. Os investigadores atribuem ao grupo ameaças contra desafetos e a obtenção de dados sigilosos de órgãos responsáveis por apurações.
Dois ex-funcionários de uma embarcação do banqueiro também relataram ameaças à PF. O ex-comandante e o ex-chef disseram que homens apresentados como intermediários de Vorcaro os procuraram. “O pessoal da marina me avisou que tinham ido lá um pessoal estranho”, declarou o comandante.

Vorcaro nega violência e admite busca por dados sigilosos
Questionado por seus advogados sobre a acusação de chefiar uma “máfia” armada, Vorcaro negou ter ameaçado alguém e acusou a PF de selecionar quatro ou cinco mensagens entre centenas de milhares para construir uma “narrativa” destinada a prendê-lo. Ele afirmou que depois pediu para esquecer as ordens, declarou que “estava nervoso” e se definiu como “pacificador”.
O banqueiro admitiu, porém, que acionou subordinados para obter informações sigilosas de órgãos de investigação. “Eu cometi erros, eu chamei pessoas para poder me ajudar a levantar informações, isso tudo eu fiz”, disse. Vorcaro alegou que tomou a iniciativa enquanto se sentia atacado, mas voltou a negar qualquer ação contra terceiros.
No mesmo depoimento, Vorcaro negou crimes financeiros relacionados à venda do Banco Master ao Banco Regional de Brasília (BRB). Também afirmou que se aproximou de políticos em busca de “proteção” e declarou ter informações para uma eventual delação envolvendo integrantes do governo.
Na noite de quarta-feira (02), o procurador-geral da República, Paulo Gonet, enviou parecer a André Mendonça no qual pediu o arquivamento do relato apresentado por Vorcaro. Gonet considerou que o banqueiro não forneceu prova do crime que afirmou poder revelar.