
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem indicado a colegas e interlocutores que pretende enfrentar no plenário a crise provocada pela divulgação de seus contatos com o banqueiro Daniel Vorcaro. Uma ala da Corte calcula ter maioria para anular atos de André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master, segundo o UOL.
O placar, porém, ainda é incerto. Ministros próximos a Moraes avaliam que uma sessão presencial, televisionada e acompanhada de forte repercussão pública pode aumentar a pressão sobre integrantes do STF mais sensíveis à opinião pública.
Mendonça informou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que deve liberar o caso para julgamento apenas na próxima semana. Até lá, pretende conversar com ministros que considera alinhados à sua posição e defender o prosseguimento das investigações.
Entre ministros, auxiliares e aliados de Moraes, há críticas à condução de Mendonça. Esse grupo acusa o relator de definir alvos e transmitir ordens indevidas à Polícia Federal, em uma atuação que compara à do ex-juiz Sergio Moro na Operação Lava Jato.
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também defendeu a nulidade dos atos: “Ao juiz não cabe acusar, menos ainda ao juiz cabe realizar investigações pré-processuais”.

Gilmar Mendes e Fachin analisam a condução do caso Master
O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, já havia criticado a investigação durante o julgamento no qual a Segunda Turma manteve a prisão de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro. Gilmar afirmou ver “triste reminiscências dos métodos e expedientes” da força-tarefa de Curitiba e citou decisões da Lava Jato que acabaram revistas pelo Supremo, entre elas a que reconheceu a suspeição de Moro.
Mendonça procurou Fachin no último domingo para tratar do relatório da Polícia Federal que relacionou Moraes a Vorcaro. Depois que o caso se tornou público, na terça-feira, o presidente do STF iniciou conversas individuais com ministros e ouviu tanto críticas à atuação do relator quanto sugestões para evitar uma disputa pública no plenário.
Em nota divulgada nesta quarta-feira (02), Fachin afirmou que “os indícios reclamam o devido encaminhamento institucional”. O presidente do STF disse que examinará a atuação processual de Mendonça, questionada pelos aliados de Moraes, e os “sérios elementos de fatos” apontados pelos críticos do ministro.
Fachin informou que anunciará uma decisão depois de concluir a análise: “Nos próximos dias, concluída a análise necessária dos fatos e observados os procedimentos institucionais pertinentes, esta Presidência anunciará, no tempo devido e sem precipitação, as medidas que cabíveis e necessárias”.