VÍDEO: Em bate-boca no Senado, Marinho chama fim da 6×1 de “onda Robin Hood”

Os senadores Omar Aziz e Rogério Marinho. Foto: Divulgação

Os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Rogério Marinho (PL-RN) protagonizaram um bate-boca nesta quarta-feira (2) durante a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O debate teve provocações, interrupções e críticas sobre os possíveis impactos da redução da jornada.

A discussão ganhou força após Marinho, líder da oposição, argumentar que uma diminuição da jornada sem redução dos salários aumentaria os custos para os empregadores e poderia provocar alta nos preços de produtos e serviços. O senador também criticou a ausência de medidas para compensar as empresas.

Ao defender sua posição, Marinho elevou o tom contra os argumentos favoráveis à mudança. “É óbvio, é ululante, é claro, é transparente, é cristalino. E quem diz o contrário ou tem má-fé ou é burro”, afirmou. “Isso indigna. É você aproveitar um momento como esse para subverter o país em nome de um projeto de poder.”

Omar reagiu à declaração e afirmou que as palavras usadas pelo senador poderiam atingir inclusive parlamentares do PL que apoiam a proposta na Câmara dos Deputados. “Eu acho que o senador Rogério Marinho se exaltou, chamou gente de burro, leviano e incompetente. Palavras duras para colegas”, disse.

Na sequência, Aziz questionou diretamente o adversário sobre os integrantes de seu próprio partido favoráveis à medida. “Vossa Excelência está dizendo que no seu partido tem gente leviana, incompetente e burra?”, perguntou.

O senador do Amazonas também criticou as mudanças defendidas por Marinho e classificou a proposta apresentada pela oposição como favorável aos empregadores. “A sua PEC é, sim, um projeto para patrões”, afirmou. Omar argumentou ainda que as emendas apresentadas não aumentariam os benefícios destinados aos trabalhadores e criticou a possibilidade de negociações individuais.

“Acordo individual, senador Rogério, é assédio ao trabalhador, sim. Acordo coletivo, não. Eu não defendo assédio ao trabalhador, eu defendo o acordo coletivo”, declarou Aziz durante a discussão na CCJ.

Marinho rebateu as críticas e contestou as afirmações de Omar sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos. “Estude mais um pouquinho”, disse o líder da oposição. Aziz respondeu afirmando que trabalhadores latino-americanos são tratados “como escravos” nos Estados Unidos, dando início a uma nova sequência de interrupções entre os dois.

Marinho voltou a dizer que Omar deveria “estudar mais” e acusou o parlamentar de entrar na “onda do Robin Hood” ao chamar as mudanças defendidas pela oposição de uma “PEC dos patrões”. O senador do PL afirmou que eventuais consequências para o emprego e a informalidade também deveriam fazer parte da discussão.

“E o desemprego? E a informalidade? […] A discussão precisa ser feita com racionalidade”, afirmou Marinho. Durante o bate-boca, o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), interveio e mencionou o atual índice de desemprego do país.

Após a troca de acusações, Marinho reconheceu que havia elevado o tom durante sua manifestação. “Reconheço que me exaltei”, disse. O senador, porém, não retirou as críticas e afirmou posteriormente que acrescentaria “inocência” aos adjetivos utilizados anteriormente para definir posições das quais discorda.

Omar voltou a rejeitar as alterações defendidas pelo líder da oposição e reiterou sua avaliação sobre a proposta. “É a PEC do patrão”, afirmou. A divergência voltou a gerar provocações entre os parlamentares, incluindo novos pedidos para que um “estudasse mais” que o outro.

Diante da continuidade do confronto, Aziz decidiu encerrar a discussão. “não leva a nada”, afirmou. Após o bate-boca entre Omar Aziz e Rogério Marinho, a sessão da CCJ prosseguiu com a participação dos demais integrantes da comissão.

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