
Alexandra Lozano Kennedy, advogada de imigração conhecida nas redes sociais como “advogada dos milagres”, enfrenta ações coletivas nos Estados Unidos após ex-clientes a acusarem de inserir informações falsas em pedidos migratórios, segundo a BBC. Um dos autores, o mexicano Isidro Mendoza Jiménez, pagou US$ 19 mil (cerca de R$ 98 mil) à banca e acabou deportado em abril, depois de quase quatro décadas vivendo no país.
Jiménez chegou aos Estados Unidos sem documentos em 1989 e morava no estado de Washington, onde também nasceram seus seis filhos. Ele procurou Lozano em 2023, após assistir a anúncios no Facebook que prometiam regularização migratória sem a necessidade de sair do território americano.
O mexicano afirmou que funcionários do escritório reuniram documentos para um pedido apresentado ao Serviço de Cidadania e Imigração dos Estados Unidos, o USCIS. Dez dias após comparecer a uma entrevista em Tukwila, ele foi detido por agentes do ICE ao voltar do trabalho e, depois de passar por um centro de detenção em Tacoma, seguiu deportado para o México em 1º de abril.
Já na Cidade do México, Jiménez disse ter acessado seu processo e encontrado uma declaração com sua assinatura que o apontava como vítima de maus-tratos cometidos por uma filha. “Eu nunca soube disso”, afirmou. Ele sustenta que não assinou o documento e que ninguém explicou que essa seria a base usada para tentar obter benefícios migratórios.

Ações acusam escritório de usar declarações falsas
Duas ações apresentadas à Justiça Federal em Seattle acusam Lozano de encaminhar pedidos ao USCIS com declarações falsas ou exageradas e de copiar assinaturas de clientes em formulários que eles não teriam recebido para revisão. A estimativa é que até 54 mil clientes tenham ficado em situação jurídica incerta após o fechamento da banca.
Os processos também alegam que pessoas sem licença para advogar executavam grande parte do trabalho jurídico. A estrutura de La Luz del Camino PLLC chegou a ter cinco escritórios principais, representação em 13 estados e 750 funcionários em 2024. Vicente Omar Barraza, advogado de uma das ações coletivas, afirmou que a empresa operava “praticamente uma operação em escala industrial”.
Lozano nega as acusações. Em maio, ela renunciou à Ordem dos Advogados do Estado de Washington, o que a impediu de exercer a profissão no estado de forma permanente. O escritório fechou em 10 de junho e, oito dias depois, a Junta de Apelações de Imigração a suspendeu de atuar perante o Departamento de Segurança Interna, o USCIS e os tribunais de imigração.
O caso ocorre durante o endurecimento da política migratória do governo Donald Trump. Dados do USCIS apontam que os pedidos baseados na Lei de Violência contra a Mulher passaram de 15 mil para 53 mil por ano entre 2020 e 2025, enquanto as solicitações de visto T, destinado a vítimas de tráfico de pessoas, cresceram 1.044% no período.
A Comissão Federal de Comércio recebeu 1.012 denúncias de fraudes em serviços jurídicos de imigração até agora neste ano. Em 2025, foram 1.625 registros, contra 1.315 no ano anterior e 623 em 2023. Especialistas alertam que muitas vítimas deixam de denunciar por medo de consequências migratórias.
Advogados que atendem imigrantes recomendam checar o nome e a licença do profissional nas ordens estaduais, revisar cada documento antes de assinar e buscar mais de uma avaliação jurídica. Kathleen Rivas, da Public Counsel, alertou: “Nenhum processo de imigração é rápido”. Mendoza Jiménez acompanha do México a ação contra Lozano e diz esperar autorização para retornar aos Estados Unidos.