
A jornalista Daniela Lima afirmou nesta terça-feira (01) que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), entregou pessoalmente à Polícia Federal um despacho impresso para apurar o destinatário ou o conteúdo de uma mensagem atribuída ao empresário Daniel Vorcaro. A medida, segundo ela, não seguiu o canal eletrônico usual de comunicação entre o relator e a PF e criou um clima de “vale-tudo” e “guerra” dentro da Corte.
No UOL, Daniela disse ter recebido a informação de que Mendonça imprimiu a ordem, levou o documento ao responsável pela diligência e pediu um visto escrito no carimbo. “Em vez de utilizar o sistema de comunicação judiciária direto relator-PF”, o ministro teria optado pela entrega física, afirmou.
Para a apresentadora, o procedimento expõe uma desconfiança instalada entre a Polícia Federal, o gabinete de Mendonça e o próprio ministro. Ela sustentou que a escolha de não inserir imediatamente a ordem no sistema também levou a Procuradoria-Geral da República (PGR) para o centro da controvérsia.
Daniela avaliou que há regras específicas quando uma apuração menciona o procurador-geral da República, Paulo Gonet. “O detentor único do mandato para apresentar ou não uma denúncia contra um investigado é o Ministério Público”, disse, ao defender que a PGR deveria ter sido cientificada pelo rito regular.
▶️ Daniela Lima: Ministro do STF fala em “vale-tudo” após decisão de Mendonça
Segundo Daniela, um ministro do Supremo classificou a ação de André Mendonça como instauradora de um “vale-tudo” na Corte, argumentando que a regra usada não seria de proteção individual, mas… pic.twitter.com/Gmkm2u8AOi
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Mensagens atribuídas a Vorcaro ampliam tensão no STF
A repórter Amanda Rossi afirmou, no mesmo debate, que o noticiário passou a tratar explicitamente de mensagens atribuídas a Vorcaro e ao ministro Alexandre de Moraes. Para ela, a identificação dos interlocutores encerrou a discussão sobre quem participaria dos diálogos mencionados no caso.
Rossi classificou os supostos diálogos como “muito contestáveis moralmente”. A apuração determinada por Mendonça busca esclarecer elementos ligados a uma mensagem atribuída a Vorcaro, sem que o conteúdo detalhado tenha sido apresentado no debate.
Daniela Lima relatou ter conversado com cinco integrantes do Supremo e disse que mais de um ministro definiu a situação como um “clima de guerra” na Corte. Segundo ela, parte dos magistrados não espera que o presidente do STF, Luiz Edson Fachin, adote providências antes de Gonet responder ao ofício enviado por Mendonça.
A colunista Marcela Mattos disse que o episódio pressiona Fachin em um ano eleitoral, quando o Supremo ocupa espaço no debate político. “Era tudo que o presidente da corte não queria: neste momento, uma guerra interna”, afirmou.