
O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, perguntou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se deveria deixar o Brasil antes de uma prisão que, segundo a Polícia Federal, já se aproximava. A conversa integra um relatório da corporação sobre a investigação envolvendo o banco, tornado público pelo ministro André Mendonça nesta terça-feira (1°).
Em uma das mensagens recuperadas pelos investigadores, Vorcaro escreveu: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Ele também perguntou se o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, estava sabendo da situação e se seria possível “fazer algo”. Na matéria da Veja que teve acesso ao relatório, porém, não informa se houve resposta e qual seria o comentário de Moraes após o contato.
A PF afirma que o banqueiro mencionou o juiz federal Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal, apontado como responsável pela ordem de prisão. As mensagens reveladas fazem referência à possibilidade de Vorcaro ser detido na segunda-feira seguinte ao diálogo.
Dois dias depois, na noite de 17 de novembro, agentes prenderam Vorcaro quando ele tentava embarcar em um jato particular. O avião seguiria para Malta e, posteriormente, para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

PF recuperou anotações feitas antes do envio das mensagens
Investigadores sustentam que Vorcaro pretendia fugir do país. A defesa do banqueiro não aparece com manifestação sobre as mensagens atribuídas a ele no relatório policial.
Segundo a PF, Vorcaro usava um procedimento para se comunicar com Moraes pelo WhatsApp: ele redigia o conteúdo no bloco de notas do celular, fazia uma captura de tela e enviava a imagem com o recurso de visualização única.
O relatório descreve que Moraes visualizava as mensagens e respondia pelo aplicativo, mas os conteúdos das respostas foram apagados. Os investigadores recuperaram as anotações que Vorcaro teria preparado antes de encaminhá-las ao ministro.
A viagem tinha como destino final Dubai, onde Vorcaro buscava concluir a venda do Banco Master, conforme a investigação. A PF apreendeu o celular do banqueiro e analisou os registros durante a apuração do caso.