
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) informou à Polícia Federal que “Dark Horse”, longa sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ainda não concluiu as etapas necessárias para estrear comercialmente no Brasil. O registro da obra estrangeira foi aceito, mas o filme ainda depende de outras autorizações. Com informação da coluna da Malu Gaspar do Globo.
Em ofício enviado aos investigadores no sábado (29), a agência também afirmou que a produção não recebeu recursos públicos federais nem incentivos fiscais administrados pela Ancine. Sem verbas geridas pelo órgão, o projeto não precisa prestar contas de seus gastos à agência.
Para chegar aos cinemas, “Dark Horse” precisa obter o Certificado de Registro de Título (CRT), emitido pela Ancine para autorizar a exploração comercial de obras audiovisuais, e receber classificação indicativa do Ministério da Justiça. A Europa Filmes, distribuidora do longa, ainda não solicitou o CRT.
O pedido do certificado exige a apresentação do contrato de distribuição, do plano de lançamento e exploração comercial e de dados sobre a divisão de receitas e lucros no Brasil. Esses documentos podem detalhar quem participará da renda obtida com as bilheterias nacionais.

A Polícia Federal busca identificar as pessoas físicas e jurídicas associadas ao longa, incluindo produtores, coprodutores, distribuidores e representantes legais. A Ancine apontou a Europa Filmes e a produtora Go Up Entertainment como representantes do projeto no país; a Go Up é presidida pela jornalista Karina Gama e por Michael Brian Davis.
A Go Up Entertainment responde a um processo administrativo na Ancine por possíveis irregularidades nas filmagens realizadas no Brasil sem comunicação prévia à agência. A análise deve terminar até o fim de setembro, quando o órgão poderá fixar multa de até R$ 100 mil.
Outra frente da investigação examina se valores atribuídos ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram usados para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. Uma perícia privada contratada pela própria Go Up calculou que 72% das despesas do filme ocorreram no país norte-americano.
O documento pericial estimou o orçamento total em US$ 13,39 milhões e apontou US$ 2,68 milhões gastos na chamada “soft produção”, etapa inicial de definição criativa e técnica. A pré-produção teria consumido outros US$ 2,66 milhões. A Europa Filmes planeja lançar “Dark Horse” a partir de novembro em ao menos 650 salas, após as eleições.