
A Economist escolheu Renan Santos para fazer aquilo que já fez outras vezes na política latino-americana: procurar um personagem que possa ser apresentado como a próxima versão de Javier Milei, o delinquente que está terminando de destruir a Argentina.
O título original do artigo publicado nesta segunda-feira (31) deixava isso explícito: “A maior democracia da América Latina poderia ter seu momento Milei?”
Depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) suspendeu a candidatura de Renan por trapacear contra o sistema eleitoral, o título mudou para “O candidato presidencial azarão que as autoridades brasileiras estão tentando banir”.
O texto apresenta suas propostas econômicas, a defesa da redução do Estado, as “reformas estruturais profundas” (o que seria dos liberais sem esses clichês?) e a chamada “batalha cultural”, mas não discute os limites institucionais para colocar esse projeto em prática.
Renan e o presidente argentino se aproximam pela “obsessão” com a economia de livre mercado e pela mistura de “dogmatismo e rock”. Renan é guitarrista da banda Limão Rosa. Uau.
Ele tem “visão ousada” e uma plataforma “cheia de novas ideias” (quais?). À revista, ele afirma que pessoas como ele são rotuladas como fascistas por não quererem utilizar determinados pronomes neutros ou por não aceitarem a ideia de que uma criança possa mudar de gênero. Coitadinho.

A sede do Missão também é usada para ilustrar o que a revista chama de um projeto voltado para uma “revolução cultural tanto quanto para o poder político”.
A Economist o apresenta como um possível “dark horse” da eleição. Só que as últimas pesquisas mostram que ele foi ultrapassado por Augusto Cury.
Na Atlas/Bloomberg, Cury aparece com 7,8%, contra 7,6% de Renan. No BTG/Nexus, a diferença é muito maior: Cury chegou a 11%, enquanto Renan ficou em 3%.
Cury saiu de 2% para 11% em apenas uma rodada do BTG/Nexus. Na Atlas, passou de 1,6% para 7,8%.
A revista lembra que ele já elogiou influenciadores da chamada “machosfera” e que seu nome apareceu em conversas com o ex-deputado Arthur do Val.
Do Val perdeu o mandato depois do vazamento de conversas feitas durante uma viagem à Ucrânia, nas quais afirmou que refugiadas ucranianas seriam mais “fáceis” por serem pobres.
Nas conversas, Arthur do Val afirmou que Renan participaria das chamadas “tour de blonde”, viagens ao exterior com o objetivo de se relacionar com “loiras”.
Renan negou ter participado dessas viagens, o que é mentira.
“Renan é culto, bem-informado e sabe falar sobre muitos assuntos diferentes. Flávio não sabe de nada”, diz um banqueiro anônimo.
“Era como se a natureza tivesse a intenção de fazer um gorila e mudasse de ideia no último segundo”, escreveu o britânico P.G. Wodehouse sobre Mussolini. A Economist desenhou o gorila completo.