
A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pretende pedir ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que reveja a liminar que suspendeu uma propaganda sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como adversário de Lula na disputa presidencial de 2026.
O vídeo, intitulado “Conheça o currículo de Flávio Bolsonaro”, reunia acusações contra o senador em formato de currículo. A Justiça Eleitoral determinou a retirada do material do ar.
O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou nas redes sociais que a peça se baseou em fatos noticiados sobre o candidato. “Acatamos a liminar da Justiça Eleitoral que determinou a retirada do ar do material audiovisual que apresenta o currículo do candidato Flávio Bolsonaro, mas estudamos um pedido de reconsideração”, escreveu.
A propaganda atribuía a Flávio Bolsonaro as expressões “funcionário fantasma”, “denunciado por lavagem de dinheiro e organização criminosa no escândalo da rachadinha” e “flagrado pela Polícia Federal pedindo 134 milhões no escândalo do Banco Master”.
O PT resolveu apresentar o “currículo” de Flávio Bolsonaro minutos antes da sabatina na Globo.
E não economizou.
Em um novo vídeo publicado nas redes, o partido reuniu alguns dos episódios mais explosivos da trajetória do senador: o caso das rachadinhas, a relação e homenagem a… pic.twitter.com/PeO7sG0R9O
— O Jornaleiro (@ojornaleirobr) August 29, 2026
Ministra apontou limite da crítica política
Ao conceder a liminar, a ministra Estela Aranha afirmou que “o conteúdo divulgado extrapola os limites da crítica política admissível”. A decisão questionou a forma como a propaganda conectou as acusações ao senador.
Para a ministra, as publicações não ficaram restritas a opiniões ou ao debate sobre posições políticas. Ela escreveu que o vídeo construiu uma narrativa de envolvimento do candidato com organizações criminosas por associação indireta e encadeamento de fatos.
A decisão também sustentou que o material não indicou “qualquer dado concreto, investigação formal ou imputação jurídica” que amparasse as alegações apresentadas na propaganda eleitoral.
No recurso que levou o caso ao TSE, a campanha de Flávio Bolsonaro disse que ele nunca respondeu a procedimento ligado à suspeita de ter sido funcionário fantasma e afirmou que essa acusação não tem lastro nos fatos.
A defesa do senador também alegou que não existe condenação no caso das rachadinhas. Segundo a campanha, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro arquivou a denúncia oferecida pelo Ministério Público.
Os advogados afirmaram ainda que empregar o termo “denunciado” no presente poderia criar a “falsa percepção de existência atual de processo criminal em curso”. O pedido de reconsideração anunciado pelo PT deve levar a disputa sobre o vídeo novamente ao TSE.