
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, se reúnem por videoconferência nesta segunda-feira (31), às 14h30, para retomar as negociações sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.
O diálogo técnico entre os dois países voltou à agenda depois do telefonema entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump em 21 de agosto. O encontro ocorre após Washington oficializar uma tarifa adicional de 25% sobre uma série de mercadorias do Brasil.
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos recomendou a medida no âmbito de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio americana. Em seguida, o órgão também confirmou uma tarifa de até 12,5% contra o Brasil e outros países sob a alegação de falhas no combate à importação de produtos ligados ao trabalho escravo.
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços calcula que as duas medidas da Seção 301 alcançam, isoladamente ou em conjunto, 23,1% das exportações brasileiras aos Estados Unidos, com base nos dados de comércio de 2024. Em 16,5% das vendas brasileiras, as sobretaxas se acumulam e chegam a 37,5%.

Governo brasileiro mantém limites para uma negociação
Apesar da reabertura do canal de conversa, o governo brasileiro não espera um acordo rápido. A avaliação em Brasília é que uma solução para o tarifaço pode ficar para depois das eleições nos Estados Unidos.
Lula disse a interlocutores que o Brasil pode negociar todos os temas com Washington, mas não pretende ceder em pontos considerados cruciais, como minerais críticos e o PIX. O país admite discutir a redução de alíquotas sobre bens de capital.
O etanol também pode entrar nas conversas, desde que Brasil e Estados Unidos analisem conjuntamente a política de biocombustíveis e a cadeia produtiva do açúcar. O Brasil cobra tarifa de 18% sobre o etanol de milho importado dos EUA, enquanto os norte-americanos aplicavam taxa de 12,5% sobre o etanol brasileiro antes das últimas elevações tarifárias.
Em 13 de agosto, o governo brasileiro iniciou um processo de reciprocidade e notificou os departamentos de Estado e de Comércio dos EUA, além do USTR. A abertura do procedimento não cria retaliações automáticas: a Lei da Reciprocidade Econômica prevê análises sobre as medidas estrangeiras, os setores afetados e o impacto econômico antes de eventuais contramedidas.