Michelle Bolsonaro resgata venda de laranjas e revive ironia do caso Queiroz

Michelle Bolsonaro cumprimentou o ministro Alexandre de Moraes ontem (12) na cerimônia de posse do novo presidente do TSE, Kássio Nunes.
A ex-primeira dama, Michelle Bolsonaro. Foto: Reprodução/Instagram

Michelle Bolsonaro (PL) afirmou em seu primeiro jingle de campanha ao Senado que começou a trabalhar aos 10 anos vendendo laranjas em um semáforo de Ceilândia, no Distrito Federal. A lembrança, usada para apresentar sua trajetória pessoal na estreia eleitoral, acabou recuperando também uma associação incômoda para a família Bolsonaro: o caso Fabrício Queiroz.

“Quem me viu como primeira-dama talvez não imagine qual foi o meu primeiro trabalho. Aos 10 anos, fui vendedora de laranjas em um semáforo na Ceilândia”, afirma Michelle Bolsonaro na peça. Ela também diz ter vendido sapatos, trabalhado em supermercado e atuado como secretária, empresária, voluntária de igreja e presidente do PL Mulher.

O uso literal da palavra “laranjas” ganha outro sentido quando confrontado com um episódio que marcou sua passagem pelo Palácio do Planalto. Entre 2011 e 2016, Fabrício Queiroz e sua mulher, Márcia Aguiar, fizeram 27 movimentações que somaram R$ 89 mil para a conta de Michelle Bolsonaro. Desse total, R$ 72 mil vieram de 21 cheques de Queiroz e outros R$ 17 mil foram repassados por Márcia.
Os depósitos vieram à tona no contexto da investigação sobre o antigo gabinete de Flávio Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Bolsonaro afirmou posteriormente que os valores tinham como destinatário final ele próprio e seriam referentes ao pagamento de uma dívida de Queiroz. A origem e a justificativa dos repasses provocaram questionamentos durante seu governo e viraram tema recorrente de cobranças públicas a Michelle Bolsonaro.

A associação, portanto, é uma ironia política em torno da palavra usada no jingle, e não significa que Michelle Bolsonaro tenha sido comprovadamente “laranja” de Queiroz ou participado de esquema criminoso. O histórico dos depósitos é o elemento que dá ao termo uma segunda leitura depois de anos de repercussão do caso.

Michelle Bolsonaro disputa uma eleição pela primeira vez e concorre ao Senado pelo Distrito Federal. A campanha também tem ligado sua candidatura à estratégia do bolsonarismo para ampliar a bancada no Senado e pressionar ministros do Supremo Tribunal Federal. Na semana passada, ela citou a prisão domiciliar de Bolsonaro e afirmou que aliados precisam eleger senadores para “equilibrar os Poderes”.

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