Diarista condenada pelo 8/1 recebe ordem de prisão de Moraes

Bolsonaristas durante a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023. Foto: reprodução

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mandou prender a diarista Silvia de Amorim Jesus, de 46 anos, para o início do cumprimento de sua pena de 14 anos de reclusão em regime fechado pela participação nos atos golpistas de 8 de Janeiro, em Brasília.

A ordem sigilosa seguiu para a Polícia Federal na quinta-feira (27), após o trânsito em julgado da ação penal. Silvia, moradora de Jaru, em Rondônia, estava em liberdade monitorada por tornozeleira eletrônica.

“Em virtude do trânsito em julgado desta ação penal, determino o início do cumprimento da pena de reclusão, em regime fechado, imposta a Silvia de Amorim Jesus. Expeça-se o mandado de prisão, destinado à Polícia Federal”, escreveu Moraes.

A condenação apontou que Silvia participou da invasão dos prédios públicos durante o ato terrorista de 8 de Janeiro. A Polícia Federal encontrou mensagens em seu celular que indicavam sua ida a Brasília na véspera dos ataques.

Silvia de Amorim Jesus
Silvia de Amorim Jesus. Foto: Reprodução

Mensagens apontaram convocação para invasão em Brasília

Em uma conversa com um contato salvo como “Gil”, Silvia escreveu: “Tô indo para Brasília (…), o movimento é em Brasília (…). Tamo indo pra batalha. A previsão é para invadir e tomar o poder, essa é a chamada dessa vez, é o agro, os caminhoneiros e o povo (…)”.

No dia da invasão, investigadores localizaram mensagens e gravações feitas por ela dentro do Palácio do Planalto e nas proximidades do Congresso Nacional. Em uma delas, afirmou: “É ao vivo meu irmão! Tomemos o poder irmão! Tá pegando fogo!”.

Outro áudio atribuído à diarista dizia: “Tomemo todos os poderes. Tamo aqui dentro do Planalto, em tudo, tudo. Tá tudo tomado. Chega e vem pra cá”. Ela foi presa em 9 de janeiro, um dia após os ataques, por decisão de Moraes.

Em mensagem enviada após a prisão, Silvia relatou a depredação dos prédios públicos e disse que participava de uma “guerra”. “Mas nós invadimo tudo. Quebramo aquele trem tudo”, afirmou no áudio encontrado pela PF.

O Ministério Público Federal ampliou a acusação após analisar o material apreendido no celular. Inicialmente, a denúncia tratava de associação criminosa e incitação ao crime, sob a suspeita de participação no acampamento em frente ao Quartel-General do Exército.

Com as novas provas, Silvia passou a responder também por associação criminosa armada, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Edson Fachin acompanharam Moraes pela condenação; Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça divergiram.

A defesa informou que pedirá revisão criminal da condenação. O nome de Silvia integra uma lista de mais de 240 mandados de prisão em aberto expedidos por Moraes no STF, sem considerar as ordens sob sigilo.

Artigo Anterior

Lula detona Flávio Bolsonaro por negacionismo climático no JN: “Amadorismo irresponsável”

Próximo Artigo

Flávio Bolsonaro tenta se apresentar como moderado, mas mantém núcleo do bolsonarismo

Escrever um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter por e-mail para receber as últimas publicações diretamente na sua caixa de entrada.
Não enviaremos spam!