Lula ironiza foco do JN em investigações: “Achei que estava no Ministério Público”

Lula Jornal Nacional
O presidente e candidato a reeleição Lula (PT), em sabatina pelo Jornal Nacional. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, afirmou nesta quinta-feira (27), durante sabatina do Jornal Nacional, que as perguntas sobre investigações envolvendo aliados e familiares o fizeram sentir que estava no Ministério Público. “Eu acho que é a hora de falar porque eu estava parecendo que eu estava no Ministério Público”, disse após uma sequência de questionamentos de Renata Vasconcellos e César Tralli.

Os entrevistadores perguntaram a Lula sobre inquéritos que envolvem seu filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, o escândalo de descontos indevidos no INSS e suspeitas relacionadas ao senador Jaques Wagner (PT-BA) e ao Banco Master. Em seguida, a entrevista passou a tratar de contas públicas, educação e segurança pública.

Sobre Lulinha, Lula afirmou que não há acusação formal contra o filho e classificou os elementos citados como “ilações tiradas de telefonemas”. “Se o Fábio cometeu qualquer ilícito ele terá que pagar como qualquer cidadão brasileiro”, declarou o petista.

O presidente também descartou qualquer interferência para beneficiar o filho. “Não haverá da parte da presidência da República um milímetro de movimento para proteger meu filho”, afirmou. Lula acrescentou que Fábio Luís terá de responder pelos próprios atos caso tenha cometido irregularidades.

Lula defende Jaques Wagner e cita apurações da Polícia Federal

Ao responder sobre Jaques Wagner, Lula disse que não há prova de relação do senador com o Banco Master. “As pessoas são inocentes até que se provem ao contrário”, afirmou, antes de dizer que considera o aliado honesto e que aplicaria a ele o mesmo critério adotado para qualquer pessoa que cometesse um desvio.

Relatório da Polícia Federal mencionou contatos entre Wagner e Augusto Ferreira Lima, ex-sócio do Banco Master que também se tornou alvo de apurações. Documentos divulgados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, apontam que os dois conversaram por telefone durante cinco horas e trinta minutos.

A PF registrou uma “nítida preferência” dos dois por ligações telefônicas em vez de mensagens e apontou contatos em mais de uma ocasião no mesmo dia. Os diálogos analisados abrangem o período de novembro de 2023 a maio de 2025.

Na parte dedicada ao INSS, Lula afirmou que seu governo ressarciu os aposentados prejudicados. “Não tem um aposentado que foi roubado que não foi ressarcido o dinheiro”, disse. O presidente declarou ainda que a quadrilha atuava desde 2019, que a investigação durou dois anos e que o grupo foi descoberto e desmontado durante sua gestão.

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