
O Conselho Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) decidiu revogar o título de “Doutor Honoris Causa” concedido ao ditador português António de Oliveira Salazar (1889-1970). A decisão foi revelada pela coluna de Ancelmo Gois, de O Globo.
A honraria havia sido entregue a Salazar no passado, mas a data da concessão e os fundamentos adotados pelo conselho para anulá-la não foram detalhados. A UFRJ ainda não havia divulgado uma publicação oficial específica sobre a revogação.
A medida ocorreu duas semanas depois de o mesmo conselho retirar o título concedido ao diplomata americano Lincoln Gordon (1913-2009). A UFRJ revogou essa homenagem em 13 de agosto.
Gordon foi embaixador dos Estados Unidos no Brasil entre 1961 e 1966 e atuou em favor do golpe de 1964, que derrubou o presidente João Goulart e deu início à ditadura militar brasileira.

Salazar comandou o governo de Portugal de 1932 a 1968. O Estado Novo português continuou após sua saída, sob a liderança de Marcelo Caetano, e terminou em 1974 com a Revolução dos Cravos.
O regime adotou uma orientação nacionalista e anticomunista, manteve vínculos estreitos com a Igreja Católica e impôs forte controle estatal sobre a vida política e social de Portugal.
Durante o governo de Salazar, Portugal travou guerras para conservar o domínio colonial sobre Angola, Moçambique e Guiné-Bissau. Os conflitos se prolongaram até a década de 1970 e contribuíram para a crise que antecedeu o fim do regime.
A Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE), órgão de repressão política do Estado Novo, perseguiu opositores, realizou prisões e combateu organizações contrárias à ditadura portuguesa.