Juiz que sucedeu e denunciou Moro na Lava Jato perde cargo após acusação de furto

Eduardo Appio em retrato divulgado pela Justiça Federal do Paraná
Eduardo Fernando Appio em retrato divulgado pela Justiça Federal do Paraná. Foto: Reprodução

A Corte Especial Administrativa do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) decidiu por 14 votos a 2 colocar o juiz Eduardo Appio em disponibilidade, com perda do cargo e dos salários, após a acusação de furto de duas garrafas de champanhe Moët & Chandon em um supermercado de Blumenau (SC). A decisão desta quinta-feira (27) ainda será enviada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com informações de Fausto Macedo, no Estadao.

As garrafas custavam R$ 400 cada, segundo a acusação, e o episódio ocorreu em outubro do ano passado. Appio teve uma breve passagem como titular da 13ª Vara Criminal Federal de Curitiba, unidade que concentrou processos da Operação Lava Jato.

Após o julgamento, Appio classificou a punição como excessiva. “São 32 anos de dedicação ao serviço público honesto, sem um único dia de licença”, disse. “A decisão é injusta e desproporcional. Tenho fé em Deus e nas instituições.”

O magistrado também afirmou que o vídeo relacionado ao caso é fraudulento. Ele pretende recorrer ao CNJ, que deverá fazer o reexame necessário do acórdão, exigido para decisões de tribunais que determinam disponibilidade ou propõem a perda de cargo de magistrados.

 

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Processo disciplinar afastou Appio havia oito meses

A Corregedoria do TRF-4 propôs o afastamento de Appio em dezembro. A Corte Especial acolheu a medida, retirou o juiz das funções e abriu um processo disciplinar para apurar o caso das garrafas de champanhe.

Durante os oito meses de afastamento, Appio continuou a receber subsídios, sem os chamados penduricalhos. A Corte Especial Administrativa reúne 16 desembargadores e analisa questões disciplinares envolvendo integrantes do tribunal.

A defesa alegou a suspeição da corregedora do TRF-4, desembargadora Salise Sanchotene. Os advogados chegaram a avaliar uma alegação semelhante contra o vice-corregedor João Pedro Gebran Neto, mas consideraram a iniciativa ineficiente no julgamento administrativo.

Os desembargadores Rogério Favretto e Luiz Penteado votaram a favor de Appio. Favretto considerou a perda do cargo uma sanção desproporcional, enquanto a maioria do colegiado aprovou a punição que agora seguirá ao CNJ.

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