
O governo dos Estados Unidos intensificou nesta quinta-feira (27) as críticas à presença de empresas estatais chinesas em grandes projetos de infraestrutura na América Latina. Juan Pablo Segura, secretário assistente de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, citou obras no Equador, Peru e Guiana e afirmou que empreendimentos conduzidos por companhias de Pequim acumularam falhas, atrasos, aumento de custos e problemas contratuais.
Segura mencionou nominalmente a Sinohydro Corporation e a China Railway Group Limited. Segundo o funcionário do governo Donald Trump, há projetos em que contratos foram descumpridos, governos ficaram endividados e ocorreram danos ambientais. As afirmações integram uma ofensiva de Washington contra o aumento da influência econômica chinesa na região.
Um dos principais exemplos citados foi a hidrelétrica Coca Codo Sinclair, no Equador, construída pela Sinohydro e em operação desde 2016. O empreendimento enfrentou problemas técnicos durante anos. Dados da estatal equatoriana Celec apontavam a existência de 17.661 fissuras nos distribuidores de aço da usina até 2022.
◾️A costly, poorly built, and failing hydroelectric dam in Ecuador.
◾️Abandoned construction projects and corrupt efforts to manipulate bidding processes in Peru.
◾️An airport in Guyana that was plagued by more than a decade of construction delays and cost overruns.
Our region… pic.twitter.com/kgmiBZOt16
— Juan Pablo Segura (@WHAAsstSecty) August 27, 2026
A obra também recebeu financiamento chinês. O Banco de Exportação e Importação da China concedeu ao Equador um empréstimo inicial de aproximadamente US$ 1,68 bilhão, enquanto a Sinohydro ficou responsável pela construção. As falhas identificadas levaram o governo equatoriano a adiar durante anos a aceitação definitiva do empreendimento.
A declaração ocorre em meio à disputa entre Washington e Pequim por influência em setores estratégicos da América Latina, entre eles energia, mineração, logística, telecomunicações e tecnologia. Desde que assumiu a função responsável pela política dos Estados Unidos para o Hemisfério Ocidental, Segura também tem feito críticas a empresas chinesas de tecnologia.
A China tem reagido à pressão estadunidense defendendo a autonomia dos países latino-americanos. Em encontro com o presidente do Equador, Daniel Noboa, nove dias antes da declaração de Segura, Xi Jinping afirmou que o direito das nações da região de escolher seus parceiros de cooperação de forma independente não deveria sofrer interferência. A declaração do presidente chinês antecedeu a crítica desta quinta-feira e não foi uma resposta direta a ela.