
A avalanche que atingiu Nepal e Tibete na quarta-feira (24) deixou 341 estrangeiros desaparecidos, a maioria deles indianos que viajavam para uma peregrinação ao Monte Kailash, uma das montanhas mais sagradas do hinduísmo.
Parte dos viajantes usava uma rota que passa pelo Nepal para chegar ao local. A peregrinação reúne milhares de seguidores interessados em visitar o monte, associado a Shiva e a outras divindades hindus.
O Monte Kailash fica no Tibete, a cerca de 100 quilômetros da fronteira chinesa com o Nepal, e tem 6.638 metros de altitude. Embora exploradores tenham tentado escalar a montanha nas décadas de 1920 e 1930, não há registro de alguém que tenha alcançado seu topo.
A China proíbe tentativas de escalada por respeito ao caráter religioso do local. No trajeto pelo Nepal, peregrinos seguem até Rasuwa e cruzam a fronteira pelo posto de Rasuwagadhi, em direção à região chinesa de Gyirong.
🇨🇳🇳🇵 Gigantesca avalanche de lama toma conta do posto fronteiriço Rasuwagadhi, na fronteira da China com o Nepal, soterrando completamente toda a região. pic.twitter.com/NKt2v5Q9W7
— Análise Geopolítica (@AnaliseGeopol) August 26, 2026
Grupo de peregrinos estava em posto de imigração
O iogue indiano Sadhguru disse ao jornal The New York Times que 77 pessoas de grupos organizados por sua fundação estavam no centro de imigração da fronteira entre Nepal e Tibete quando a inundação atingiu a área. Ele afirmou que ainda não conseguia contato com o grupo.
Escrituras hindus relacionam o Kailash a Shiva, à mulher dele, Parvati, e aos filhos do casal, entre eles Ganesha. O épico “Ramayana”, que circula na Índia desde o século V a.C., descreve a montanha como residência dessas divindades.
Algumas tradições também tratam o monte como nascente espiritual do rio Ganges e o identificam com o Monte Meru, entendido como centro do universo. Os peregrinos costumam visitar ainda o lago Manasarovar, situado a cerca de 35 quilômetros da base da montanha.
O Kailash e o lago Manasarovar também têm valor religioso para budistas tibetanos, jainistas e seguidores da religião bon. Para os praticantes do bon, o topo da montanha abriga 360 deuses; no jainismo, o local marca a libertação do primeiro de seus 24 salvadores do ciclo de mortes e reencarnações.
🇳🇵🚨 The USGS says that the seismic signal initially recorded as an earthquake in Nepal was actually caused by a powerful landslide: an avalanche of ice and rock from a glacier, and not by a natural tectonic movement. pic.twitter.com/L7q3nrXo0f
— Brazil Press (@brazilpress) August 26, 2026