Brasileiros em NY temem ações do ICE durante eleições e podem não votar

Urnas eletrônicas preparadas para votação no exterior
Urnas eletrônicas preparadas para votação de brasileiros no exterior. Foto: Reprodução

Brasileiros que vivem em Nova Jersey dizem que podem deixar de votar no primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, por medo de operações do ICE, a agência de imigração dos Estados Unidos. O Consulado-Geral do Brasil em Nova York escolheu um complexo educacional no Queens para receber os eleitores da região, com a preocupação de oferecer um local mais protegido.

Em cidades onde as ações migratórias se intensificaram, imigrantes relatam que evitam sair de casa durante o dia, pedem comida por aplicativos para não frequentar restaurantes e acompanham grupos de WhatsApp que avisam sobre a presença de agentes. A repressão promovida pelo governo do republicano Donald Trump deve reduzir a participação eleitoral de brasileiros nos EUA.

O posto no Queens atenderá brasileiros residentes em Nova York, Nova Jersey e Filadélfia. O espaço fica distante de Manhattan e de Newark, uma das cidades de Nova Jersey com maior presença brasileira, mas sua estrutura permite manter os eleitores dentro dos prédios e evitar filas nas ruas.

Agentes do ICE não podem entrar em propriedades privadas, como escolas e residências, sem mandado judicial assinado por um juiz. A maior parte das detenções ocorre em locais públicos, o que levou o consulado a priorizar um endereço com áreas internas para a votação.

Em 2022, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o então presidente Jair Bolsonaro (PL) recebeu mais votos que o o vencedor do pleito Lula (PT). Foram mais de 6 mil votos ao candidato de extrema-direita, um montante de 53%.

Bolsonaristas em Nova York. Foto: reprodução

Consulado cita segurança e capacidade para quase 50 mil eleitores

O Consulado-Geral do Brasil afirmou que suas instalações não comportariam o fluxo de quase 50 mil eleitores da região. “Essa opção evita a formação de filas ao longo das ruas e oferece aos eleitores um espaço confortável e seguro”, disse a representação em nota.

A Secretaria de Relações Internacionais da Prefeitura de Nova York e a Polícia de Nova York participaram do mapeamento do local. A cidade e o estado, administrados por democratas, adotam políticas de santuário e não colaboram com as medidas federais de repressão migratória.

O Brasil enviou ao Departamento de Estado dos EUA, entre o fim de junho e o início de julho, os dados de todos os postos de votação no país. Além de Nova York, haverá locais em cidades como Atlanta, Boston, Chicago, Dallas, Houston, Los Angeles, Miami, Orlando, San Francisco e Washington.

O Departamento de Estado avisou que a polícia americana não garantirá a ordem pública em postos fora dos consulados, como o do Queens; essa responsabilidade ficará a cargo do Brasil. Estimativas do Itamaraty apontam cerca de 2 milhões de brasileiros nos EUA, enquanto o TSE registra aproximadamente 265 mil eleitores aptos a votar no país.

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