
Zélia Duncan, de 61 anos, relatou episódios de assédio e investidas de homens que enfrentou desde o início da carreira musical. Em entrevista ao jornal O Globo, a cantora afirmou que sua orientação sexual era frequentemente desrespeitada por homens que insistiam em abordá-la ou sugeriam que ela deveria se relacionar com eles.
Um dos episódios envolveu um colega com quem trabalhava. Segundo Zélia, o homem entrou em seu quarto, a empurrou sobre a cama e disse: “Vou te mostrar o que é um homem”. Ela respondeu perguntando se ele acreditava que ela não sabia “o que é um homem”.
A cantora relacionou esse tipo de abordagem à ideia de que a orientação sexual de uma mulher lésbica poderia ser alterada por uma experiência com um homem. Zélia afirmou que ouviu repetidamente sugestões para que “tentasse” se relacionar com homens e classificou esse comportamento como parte de uma pressão sofrida por mulheres de sua geração.
Os episódios começaram quando ela ainda cantava na noite. Zélia contou que recebia drinques e cantadas e que alguns homens esperavam sua saída dos locais onde se apresentava. Em determinadas situações, precisava da companhia de amigos para se sentir protegida.
A artista também lembrou o período em que trabalhou como backing vocal de Bebeto e Zé Augusto, aos 18 anos. Segundo ela, músicos das bandas faziam investidas e um deles chegou a perguntar como reagiria caso ele levasse uma mulher para beijá-la. Zélia disse que o baterista Edmilson tornou-se seu amigo e passou a acompanhá-la até o ponto de ônibus.
Outro relato envolve um produtor que a chamou para realizar um teste em um estúdio num domingo. Zélia saiu de Niterói e, ao chegar, percebeu que estava sozinha com ele. A cantora afirmou que conseguiu sair da situação e que, posteriormente, refletiu sobre o risco de o homem ter agido de forma mais violenta.
Aos 19 anos, ela viveu situação semelhante com outro produtor, segundo seu relato. O homem a convidou para jantar em casa, na presença da mulher e da filha, mas, ao levá-la embora de carro, teria avançado sobre ela. Zélia afirmou que situações desse tipo eram recorrentes no meio artístico e que sua experiência profissional foi marcada pela necessidade de se defender dessas abordagens.