
A Polícia Federal aponta o empresário Victor Hugo Henriques, dono da MRG Gerenciamento e Serviços, como responsável pela compra ilegal de munições ao usar uma identidade falsa de agente da Polícia Judicial do Superior Tribunal Militar (STM). A empresa contratou o ex-deputado federal Daniel Silveira como consultor comercial, com autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em relatório policial, os investigadores afirmam que Victor foi a uma loja de armas em Duque de Caxias, em 7 de abril, e apresentou uma carteira funcional falsa para adquirir o lote. Ele não integra o quadro de servidores do STM.
A compra teve três transferências bancárias: duas partiram de contas pessoais do empresário e uma, de R$ 3.600,53, saiu da conta da MRG. Victor teria apresentado seis certificados de registro de arma de fogo, os chamados Crafs, durante a negociação.
Quatro armas indicadas nos documentos não constavam nos sistemas oficiais, enquanto outras duas tinham dados divergentes, conforme a PF. Os investigadores também não encontraram autorização de posse ou porte de armas em nome do empresário.

PF apreendeu 14 armas e mais de 2,5 mil munições no apartamento
Agentes da PF prenderam Victor em flagrante em 29 de maio, durante uma ação em seu apartamento na Tijuca, no Rio de Janeiro. No imóvel, recolheram 14 armas, entre elas um fuzil T4, espingardas calibre 12, pistolas e revólveres.
Uma das espingardas estava com a numeração raspada. A operação também apreendeu 2.558 munições intactas de diversos calibres, 39 carregadores, distintivos, carteiras funcionais e dezenas de certificados de registro de armas; entre os materiais havia um carimbo com o nome da MRG.
Câmeras de segurança registraram Victor chegando ao prédio da loja em Duque de Caxias com um distintivo. Depois da compra, ele aparece em um elevador sacando uma arma e exibindo-a a uma mulher, segundo a investigação.
Em outra ocasião, o empresário pediu a uma loja de Barra Mansa orçamento de cerca de R$ 25 mil em munições e apresentou 12 Crafs que a PF considera falsos. A negociação não foi concluída. Os agentes ainda encontraram um veículo Mitsubishi Pajero blindado com luzes giroflex de uso policial instaladas ilegalmente, além de colete, coldres táticos, jaqueta e camisa polo com brasão da Polícia Judicial.
A PF indiciou Victor por posse ilegal de armas e munições de uso restrito e uso de documento falso. Ele também é investigado em outro inquérito por possíveis crimes de associação ou organização criminosa, tráfico de armas e falsidade documental. As defesas de Victor e de Daniel Silveira não responderam aos contatos até a publicação das informações.