Uber pode levar multa de R$ 321 milhões por taxa obrigatória a motoristas

Motorista de Uber. Foto: Rebecca Maria/Agência O Globo

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou uma ação civil pública nacional contra a Uber e pediu a suspensão, em até 48 horas, do programa Passe para Motoristas. A Procuradoria Regional do Trabalho da 5ª Região, na Bahia, também cobra R$ 321 milhões da empresa por dano moral coletivo.

O órgão sustenta que o modelo cobra antecipadamente dos motoristas o acesso às corridas e pode provocar endividamento. Para o MPT, o mecanismo cria condições que podem se associar à servidão por dívida e ao trabalho em condições análogas à escravidão, embora a ação não trate de responsabilização criminal.

A Uber lançou o programa em 25 de maio em 12 cidades, entre elas Itabuna e Ilhéus, na Bahia, e previa ampliar a iniciativa para outras regiões. Com o processo, a Procuradoria tenta impedir essa expansão, sob pena de multa diária de R$ 1 milhão caso a Justiça determine a interrupção e a plataforma descumpra a ordem.

No modelo tradicional, a empresa desconta sua taxa após cada viagem. Pelo Passe para Motoristas, o trabalhador compra um pacote antes de rodar e fica isento da taxa de serviço dentro das condições contratadas, sem garantia de quantidade mínima ou contínua de corridas.

Logotipo da Uber em tela de smartphone
Logotipo da Uber exibido em tela de smartphone. Foto: Reprodução

Modalidades preveem cobrança antecipada e desconto de ganhos futuros

O Passe por Tempo prevê uma taxa fixa para corridas durante 24 ou 72 horas consecutivas. Já o Passe por Ganhos isenta o motorista da taxa de serviço até ele atingir um limite de faturamento definido previamente pela Uber.

Uma das opções custa R$ 240, vale por até 180 dias e permite ganhos de até R$ 1.050 sem nova cobrança de taxa de serviço. Vídeos divulgados na internet indicam preços de R$ 35 por 24 horas e R$ 94 por 72 horas em algumas cidades; conforme a frequência de compra, o gasto mensal pode chegar a cerca de R$ 940 a R$ 1.050.

Os termos do programa preveem que a Uber debite o valor da carteira disponível no aplicativo. Quando não há saldo suficiente, a plataforma desconta o montante assim que o motorista receber novos créditos, o que, na avaliação do MPT, aumenta a dependência econômica em relação à empresa.

O procurador do Trabalho Luiz Antônio Nascimento Fernandes afirmou no processo que o passe seria obrigatório e contratado automaticamente, sem aceite do motorista. O MPT diz que comunicará os fatos às autoridades competentes para eventual apuração penal e calcula que a Uber poderia arrecadar mais de R$ 1 bilhão por mês se cobrasse valor médio de R$ 920 de 1,4 milhão de trabalhadores cadastrados.

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