
Daniel Perez, indicado por Donald Trump para ser o novo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, prestou depoimento ao Comitê de Relações Exteriores do Senado americano. O republicano de origem cubana, que preside a Câmara dos Representantes da Flórida, foi questionado por senadores democratas sobre a relação com o governo Lula, as tarifas impostas ao Brasil e os interesses estratégicos de Washington no país.
Durante a audiência de confirmação, Perez afirmou que pretende levar para a Embaixada dos EUA em Brasília os princípios que, segundo ele, orientaram sua atuação política na Flórida.
“Como presidente da Câmara dos Representantes da Flórida, aprendi que clareza, integridade e capacidade de execução são os fundamentos de uma governança eficaz. Levarei esses mesmos princípios para a embaixada em Brasília”, declarou após ser apresentado pelo senador Rick Scott.
A indicação ocorre em um momento de forte tensão entre Brasil e Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, vem pressionando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva em questões comerciais e políticas, enquanto Lula rejeitou as acusações de Trump de que o Brasil adotaria práticas comerciais injustas.
Tarifas de Trump e o conflito com o governo Lula
Questionado pelo senador democrata Tim Kaine sobre as tarifas americanas contra o Brasil, Perez afirmou que não tinha conhecimento da decisão específica que havia sido tomada sem sua participação.
O tema é particularmente sensível porque o governo Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com exceções para itens como café, carne bovina, laranjas e componentes de aeronaves.
O embate comercial também provocou reação do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, às agressões do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
Ao ser questionado pelo senador republicano Pete Ricketts sobre o etanol, Perez argumentou que os problemas na relação bilateral vão muito além do setor agrícola.
“Não se trata apenas de etanol. Acho que existe uma lacuna em energia e infraestrutura quando se trata da relação entre Brasil e Estados Unidos. Parte disso, na minha opinião, tem a ver com exposição”, afirmou.
Thank you, Senator Scott, for your leadership and friendship, and thank you to the Committee on Foreign Relations for time and thoughtful consideration. I appreciate the opportunity and, if confirmed, look forward to serving our country as the United States Ambassador to Brazil. https://t.co/b1JDROIbrf
— Daniel Perez (@Daniel_PerezFL) July 16, 2026
Brasil é estratégico para os EUA, diz indicado de Trump
Perez destacou a importância econômica e geopolítica do Brasil para Washington.
“O Brasil possui vastas reservas de minerais críticos essenciais para a força econômica e a segurança nacional americanas. Está no centro do comércio, da energia e da infraestrutura do hemisfério e enfrenta desafios reais de segurança”, afirmou.
A declaração sinaliza que uma eventual gestão de Perez em Brasília deverá priorizar não apenas comércio, mas também minerais estratégicos, energia, infraestrutura e segurança, áreas consideradas fundamentais para os interesses americanos na América Latina.
A audiência também ocorre em meio à forte aproximação política de Trump com o campo bolsonarista.
O presidente americano já classificou como uma “caça às bruxas” a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Em maio, Trump também recebeu o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente, em Washington.
O cenário eleitoral brasileiro entrou no radar da audiência. Perez mencionou a próxima eleição presidencial e afirmou que, caso seja confirmado pelo Senado, pretende atuar diretamente sobre os interesses americanos no país durante o período eleitoral.
Suas prioridades, segundo ele, serão a proteção dos cidadãos americanos no Brasil, a ampliação dos interesses dos Estados Unidos em comércio e investimentos, o combate ao tráfico de drogas e ao crime transnacional e a construção de “parcerias resilientes”.
“Minhas maiores prioridades, se confirmado, serão a proteção dos cidadãos americanos no Brasil, o avanço de nossos interesses nacionais em comércio e investimentos, a interrupção do tráfico de narcóticos e do crime transnacional e a construção de parcerias resilientes”, disse Perez.